Invictus - Poesia

Invictus

“Da noite que me cobre,
Negra como um poço de alto a baixo,
Agradeço quaisquer deuses que existam
Pela minha alma inconquistável. Na garra cruel da circunstância
Eu não recuei nem gritei.
Sob os golpes do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta. Além deste lugar de fúria e lágrimas
Só o eminente horror matizado,
E, contudo a ameaça dos anos me
Encontra e encontrar-me-á, sem temor. Não importa a estreiteza do portão,
Quão cheio de castigos o pergaminho,
Sou o dono do meu destino:
Sou o capitão da minha alma”.

(Trad. de Luís Eusébio)

Invictus

“Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul”.

Henley, poeta inglês nascido em 1849, teve uma vida difícil. Tuberculoso desde os 12 anos, teve a perna esquerda amputada aos 16, por causa da doença. Trabalhou para sustentar a mãe e os irmãos após a morte de seu pai e perdeu sua única filha, de 06 anos, vítima de meningite. O poema foi escrito no hospital.



Príncipes Disney

Príncipes Disney:

1 - O Príncipe, The Princes, {Eduardo} (Branca de Neve, Branca de Neve e os Sete Anões),

2 – Príncipe Bambi (Faline, Bambi),

3 - Príncipe Encantado {Charming} (Cinderela),

4 - Príncipe Philip (Aurora, A Bela Adormecida),

5 - Príncipe Eric (Ariel, A Pequena Sereia),

6 - Príncipe {Fera} Adam (Bela, A Bela e a Fera),

7 – Príncipe Aladdin {Ali Ababwa} (Jasmine, Aladdin),

8 – Príncipe Simba (Leoa Nala, O Rei Leão),

9 - Príncipe Hércules (Megara, Hércules),

10 – “Príncipe Li Shang” (Mulan),

11 - “Príncipe Tarzan” {John Clayton III, Lorde Greystoke} (Jane, Tarzan),

12 - Príncipe Edward e “Príncipe Robert” (Giselle e Nancy, Encantada),

13 – Príncipe Simbad e Príncipe Proteus (Marina, Simbad, a lenda dos sete mares),

14 – “Príncipe John Rolfe” (Pocahontas),

15 – Príncipe Naveen (Tiana, A príncesa e o sapo).



Quem criou Sherlock Holmes - Brad Keefauver

Por Brad Keefauver

Quem criou Sherlock Holmes?

Uma pergunta fácil, para a qual tenho certeza de que você tem uma resposta. Agora, uma pergunta mais interessante — quem criou você?

A maioria de nós sabe a resposta para essa também. Nós todos temos nossos criadores, normalmente duas pessoas que se unem e dão algo delas para produzirem um ser humano totalmente novo. A partir dos nossos criadores, iniciamos nossas vidas.

Mas o ato da criação não pára por aí. Uma criança precisa ser criada e educada. Uma criança pega as coisas no caminho. Seu meio ambiente muda, mas o processo de criação continua. Se tivermos sorte, ele nunca termina.

Pergunte a si mesmo quem criou Sherlock Holmes. Depois, pergunte a si mesmo quem cria Sherlock Holmes hoje. E quem foi que lhe estendeu a mão no decorrer do caminho.

Por exemplo, uma das ninharias favoritas que os sherlockianos gostam de lançar sobre as massas “ignorantes” é a questão do cachimbo curvo.

Em todas as sessenta estórias originais escritas sobre Holmes, ele nunca usou um cachimbo curvo. No entanto, Sherlock Holmes usa um cachimbo curvo. Todo mundo sabe disso! Isso torna a coisa real? Bem, quando falamos de lendas, talvez sim. Como Vincent Starrett escreveu uma vez, “Somente aquelas coisas em que o coração acredita são reais”. E toda uma infinidade de corações acredita que Sherlock Holmes de fato fumava um cachimbo curvo.

De onde esses corações adquiriram tal conhecimento? De William Gillette, o primeiro grande intérprete de Holmes, e dos artistas e atores que ele influenciou. Aparentemente, Gillette achou o cachimbo curvo mais fácil de pendurar na boca, quando atuando no palco. Mal sabia ele — ou talvez soubesse — que também estava participando na criação de Sherlock Holmes.

Uma multidão de corações acredita que Holmes gostava de dizer “Elementar, meu caro Watson.”

Não estou certo de quem disse isso primeiro, mas eu o ouvi de Basil Rathbone, outro grande intérprete e criador de Holmes. Então, não me diga que Holmes nunca disse essas palavras; eu o ouvi dizê-las. Escute seu próprio coração, e você também poderá ouvi-las.

Mas ainda, há aquelas partes do nosso amigo Sherlock que nos partem o coração.

Nicholas Meyer pegou o que eu sempre considerei um detalhe menor (a coisa da cocaína), e transformou Holmes num drogado doido varrido. Muitas são as pessoas que não conseguem tirar aquela imagem da cabeça, tornando-a, assim, uma subcorrente bastante persistente na lenda Sherlock Holmes. Podemos não concordar com isso, mas sua existência não pode ser negada.

William Gillette, Basil Rathbone, Nicholas Meyer… todos esses homens participaram na criação do Sherlock Holmes que conhecemos hoje. Gillete o fez com a benção do seminal criador de Holmes, mas isso não quer dizer que ele foi mais ou menos efetivo que os outros. A fila não termina só com esses três, há ainda: Michael Hardwick, Jeremy Brett, Eve Titus, Sidney Paget, William S. Baring-Gould, Peter Cushing… poderia continuar até o dia seguinte.

Mais de cem anos após seu nascimento, Sherlock Holmes tem recebido o benefício de milhares de criadores. Qualquer um a afirmar que o Sherlock que tem na cabeça é meramente o resultado das sessenta estórias, ou é um completo mentiroso ou um teimoso irreparável.

Não se pode ser um sherlockiano sem ter sido influenciado por alguma representação de Holmes, seja num poema, romance ou até mesmo num cartum. Poder-se-ia argumentar que o próprio Conan Doyle escrevera alguns pastiches nos seus últimos anos de vida, sutilmente influenciado por William Gillette, John Kendrick Bangs e outros.

Como qualquer outro ser humano, Sherlock Holmes não ficou sentado, inerte, desde a morte de seu criador original. Não poderia e nunca poderá. É assim que a vida funciona. Como sherlockianos, não é somente nosso dever seguir a forma de vida que chamamos de Holmes — devemos também ajudá-lo a crescer.

Certamente, por causa dos direitos, ainda há certas limitações quanto a publicar estórias de Sherlock Holmes. Mas isso não significa que você não possa escrevê-las. Ou interpretá-las. Ou contá-la a seus amigos. Ou simplesmente discutir acerca do Holmes em que crê. Como sherlockianos, devemos todos estar ajudando a levar o Holmes que adoramos para o futuro, não apenas como indivíduos que sustentam uma visão bem definida por rigoroso consenso, mas também como o bando selvagem e divergente que somos.

Quem criou Sherlock Holmes?
Muitas pessoas.
Quem o está criando agora?
Muitas outras, uma das quais é você.

MuNdO eLeMeNtAr - Todos os direitos reservados

In http://mundoelementar.vilabol.uol.com.br/artigos/acc.htm



Palestra ministrada pelo médico psiquiatra Dr. Içami Tiba

Palestra ministrada pelo médico psiquiatra Dr. Içami Tiba, em Curitiba, 23/07/2008.

O palestrante é membro eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho “Via de Acesso”. Professor de cursos e workshops no Brasil e no Exterior.

Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e admiração - o primeiro nacional.

1º lugar: Sigmund Freud;

2º lugar: Gustav Jung;

3º lugar: Içami Tiba.

1. A educação não pode ser delegada à escola.

Aluno é transitório. Filho é para sempre.

2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo.

Não se pode castigar com internet, som, tv, etc…

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo.

Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real.

Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento.

O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa.

Não são todos que conhecem.

Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais.

Ambos devem mandar.

Não podem sucumbir aos desejos da criança.

Criança não quer comer?

A mãe não pode alimentá-la.

A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará.

A criança não pode alterar as regras da casa.

A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa.

Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir.

Tem que respeitar sob pena de criar um delinqüente .

7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome.

Se ela quiser comer, saberá a hora.

E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada.

Não pode simplesmente repetir, decorado.

Tem que entender.

9. É preciso transmitir aos filhos a idéia de que temos de produzir o máximo que podemos.

Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer.

E o prazer é inconseqüente.

11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada.

Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga .

A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões.

Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia.

Tem que dizer que não conversará com ele e pronto.

Deve “abandoná-lo”.

13. A mãe é incompetente para “abandonar” o filho.

Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria.

Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz.

Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo.

A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias.

Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação.

Tirar nota boa é obrigação.

Não xingar avós é obrigação.

Ser polido é obrigação.

Passar no vestibular é obrigação.

Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe.

Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma.

Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.

18. Muitas são desequilibradas ou mesmo loucas. Devem ser tratadas.

19. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também.

20. Videogames são um perigo:

Os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real

Não existem “vidas”, e sim uma única vida.

Não dá para morrer e reencarnar.

Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

21. Professor tem que ser líder.

Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

22. Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham.

“Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com o computador”.

Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe.

23. O erro mais freqüente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa.

O filho não pode ser a razão de viver de um casal.

O filho é um dos elementos.

O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles.

A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

25. Cair na conversa do filho é criar um marginal.

Filho não pode dar palpite em coisa de adulto.

Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (KWh) da que ele indicar.

Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

26. Dinheiro “a rodo” para o filho é prejudicial.

Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.

Frase:

A mãe ou o pai que leva o filho para a igreja, não vai buscá-lo na cadeia!

Alguns homens vêem as coisas como são, e dizem: Por quê?

Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: Por que não?

(George Bernard Shaw)



Cirurgia de lipoaspiração? Herbert Vianna



PROFESSOR - UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

PROFESSOR - UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

por Verônica Dutenkefer - veveduten@yahoo.com.br

Este texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo. Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos, que é o tempo que ainda precisarei trabalhar (por mais que ame muito o que faço).

Trago comigo muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante seja: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país?

Constantemente ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamando a má formação de seus professores. Culpando as universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos, evidentemente. Se a educação neste país não vai bem só existe um culpado: o professor.

E aí vêm meus questionamentos:

Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?

Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e nos cobram o conteúdo de cada disciplina.

Como pode num país… num estado… num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e a pública?

Na rede particular as escolas continuam conteudistas, há a seriação com reprovação, a escola pode suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja respeitando as regras daquela instituição.

A rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de acordo com o partido que ganhou as eleições), é cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários daquela instituição.

Dia a dia… minuto a minuto… os professores são alvos de agressões verbais e até mesmo física pelos alunos. A cada dia somos submetidos a níveis de stress insuportáveis para um ser humano. Temos que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos + enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas + psiquiatras + mãe + pai… E se quando ameaçados de morte recorremos a uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência ouvimos: “Isso não vai adiantar nada!”

Meus bons alunos presenciam o mau aluno fazendo tudo o que não pode ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo da impunidade desde a infância. Meus bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e foi responsável.

Houve um ano em que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava empinando pipa ao invés de ir pra escola. Um dia tive uma conversa com ele e perguntei o que estava acontecendo? E ele me disse: “Prá que eu vou vir prá escola se eu vou passar de ano mesmo assim?” Então, procurei aconselhar (como faço com meus alunos até hoje) que ele devia freqüentar a escola, não para tirar notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir à escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem que ninguém poderá roubar. Que a escola iria ajudá-lo a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a dar uma melhor formação na vida. Depois dessa conversa ele não faltou mais tanto… mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era.

Qual a motivação de ser bom aluno hoje em dia? Seus ídolos são jogadores de futebol que não falam o português corretamente e que não hesitam em agredir seus colegas jogadores e até mesmo os árbitros, ensinando que não é necessário haver respeito às autoridades e aos outros.

Ou são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na televisão e pousando nuas para ganhar dinheiro. Para quê eu me matar de estudar se há tantas profissões que não são valorizados e nem respeitadas?

Conheci (e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos. Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento e formação excelentes, mas que estão desgastados e quase arrasados diante da atual situação educacional.

Li há poucos dias num artigo que os cursos de filosofia, matemática, química, biologia e outros todos ligados à área de magistério não estão tendo procura nas universidades. Lógico! Quem é que quer ser professor? Quem é que quer entrar numa carreira que está sendo extinta, não só pela total desvalorização e desrespeito, mas também pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas.

Fiquei indignada com uma reportagem na TV (que, aliás, adora fazer reportagens sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da história) em que relatava que numa escola um aluno ameaçava os outros com um revólver e num determinado momento o repórter perguntou: “Onde estava o professor que não viu isso?” E agora eu pergunto: “O que se espera de um professor (ou de qualquer ser humano), que se faça com uma arma apontada pra você ou pra outro ser humano? Ah… já sei… o professor deveria enfrentar as balas do revólver! Claro! As universidades e os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão nos ensinando isso!

Vocês têm conhecimento de como os professores de nosso país estão adoecendo? Vocês sabem o que é enfrentar o stress que a violência moral e física têm nos submetido dia-a-dia?

Você sabe o que é ouvir de um pai frases assim: “Meu filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!” “Eu não sei mais o que fazer com o meu filho!” “Você está passando muita lição para meu filho, e ele é apenas uma criança!” “Ele agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou.” “Meu filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!”

Classes superlotadas, falta de material pedagógico, espaço físico destruído, violência, desperdício de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por causa do “Leve-leite” (o aluno não pode faltar muito, não por que isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele não leva o leite.)

Regras educacionais dissonantes com a classe social dos alunos. Impunidade. Mas a educação não vai bem por causa do professor!

Encerro esse desabafo com essa pergunta que li há poucos dias. Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável. “Todo mundo  pensando em deixar um planeta melhor para nossos  filhos…  Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”

Texto revisado por Cris

por Verônica Dutenkefer - veveduten@yahoo.com.br
RUA MUSSUMÉS, 332 - VILA MARIA ALTA - SÃO PAULO - SP CEP: 02130-070 FONES: 2532-7836/ 9165-0257

Lido 697 vezes, 32 votos positivos e 1 votos negativos.
E-mail: veveduten@yahoo.com.br
Visite o Site do autor



Sugestões de presentes para padres

Sugestões de presentes para padres

            Deve-se levar em consideração a paróquia, o ambiente, os paroquianos, quanto tempo o padre está ou ficará na paróquia, sua idade, qual ministério o padre pertence, se o presente será de todos ou particular, o capital disponível, o que ele costuma carregar, etc. O presente deve ficar claro que é para uso fruto do padre e não dá paróquia, pois assim ele o levará aonde for.

            Independente do que for (por exemplo, um jantar) é importante que não haja improvisos, como pedir a alguém para cantar uma música para ‘aproveitar sua presença’ sem que a pessoa tenha sido avisada antes. No caso de alimentos verificar alergias,  doenças (como diabetes, pressão alta, etc;) e regimes.

1.      Bíblias raras

2.      Bíblia em MP3

3.      Livros de leitura que agradem

4.      Instrumento musical

5.      CDs religiosos

6.      CDs que agradem

7.      CDs instrumentais

8.      Uma tela (pintura)

9.      Livro com a biografia dos santos de devoção ou da paróquia

10.  Álbum de fotos com imagens do PE. Na paróquia. (pode ser digital se houver capital).

11.  Uma camisa com dizeres (exemplo: Vou sempre com Deus… atrás o nome das pessoas que presenteiam a camisa ou da paróquia).

12.  Produtos de higiene pessoal (verificar se possui alguma alergia)

13.  Um dia de relaxamento e lazer

14.  Microfone sem fio

15.  Caixa de som amplificadora

16.  Caneta com carimbo

17.  Blog ou site pessoal

18.  Assinatura revista (pelo menos 1 ano) de assunto de interesse do PE.

19.  Coleção de marcadores de livros artesanais

20.  Caixa artesanal com rosas

21.  Incenso

22.  Velas artesanais

23.  Vestes litúrgicas

24.  Vinho sem álcool

25.  Chás para voz

26.  Tapete para quarto (pequeno)

27.  Camisas

28.  Calças

29.  Sapatos

30.  Terço

31.  Crucifixo

32.  Um almoço ou jantar

33.  Buquê de rosa

34.  Uma planta pequena (sem cheiro)

35.  Bloquinho com mensagens para o padre destacar e distribuir para quem ele quiser

36.  Pendrive

37.  Celular

38.  Relógio

39.  Aparelho de MP3 ou similar

40.  Chinelo modelo franciscano

41.  Aparelho de DVD portátil

42.  Um vídeo editado com passagens da vida dele e na paróquia e depoimentos de familiares e paroquianos (editado, nada de vídeos que demorem uma hora, pois é cansativo. O vídeo pode ser apresentado num jantar).

 



Precisa-se de matéria prima para construir um país

Precisa-se de Matéria Prima para
construir um País

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada.

Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO.

Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a “ESPERTEZA” é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as “EMPRESAS PRIVADAS” são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos …e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu “puxar” a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem “gatos” para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros.

Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.

Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser “comprados”, sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar.

Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem “molhei” a mão de um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro , apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como “Matéria Prima” de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa.

Esses efeitos, essa “ESPERTEZA BRASILEIRA” congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS.

Nascidos aqui, não em outra parte… Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada… Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.

E enquanto essa “outra coisa” não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados….igualmente sacaneados!!!

É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda… Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro…… Somos nós os que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo; desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

João Ubaldo Ribeiro



Sobrenatural Supernatural

sobrenaturalsbt

http://www.cwtv.com/shows/supernatural

http://www.supernaturalbrasil.com/

http://twitter.com/SupernaturalSBT

http://www.sbt.com.br/sobrenatural/episodios/

 

Site: Supernatural Is Life - http://www.supernaturalislife.com/

Vem aí a Supernatural Con Brasil


Responsabilidade e Notícia completa em

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=81262749&tid=5359714505301349277



Entre os Muros da Escola

escola

Entre os muros da outra escola

Está na hora de enfrentar a violência também no ensino privado

 

ELIANE BRUM
ebrum@edglobo.com.br
Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo. É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo)

Eu a conheci anos atrás. Conquistou-me de imediato. É cada vez mais raro encontrar uma criança bem educada, que diz, por favor, obrigada e com licença. Que pede desculpas se esbarra em você sem querer. Que dá oi e dá tchau. Que pergunta se você está bem. Ela é assim. É agora, aos 11, quase 12 anos. Era aos 5, quando nos encontramos. Gostava de barbie e de desenhos animados, mas vez ou outra assistia a algum filme do expressionismo alemão com interesse. Ouvia Palavra Cantada e Chico Buarque com igual deleite. Éramos ambas – e somos até hoje – fãs quase fanáticas dos livros do Harry Potter. Filha de mãe escritora, pai economista, ela tinha, ao mesmo tempo, estímulo para vôos intelectuais mais largos e respeito por seus gostos infantis, o que sempre me pareceu um jeito sábio de educar. Para mim, ela sempre foi impossível de não se gostar.

É triste não poder aqui colocar o nome desta menina tão especial. Mas seu nome não será revelado para protegê-la de seus colegas, precaução por si só chocante. Na semana passada eu soube por sua mãe que ela deixaria a escola que cursa há anos. Foi sendo expulsa pelos colegas, sem que os professores nada fizessem. Estuda numa das escolas de elite de São Paulo. Bom projeto pedagógico, turmas pequenas, inclusão de crianças com necessidades especiais. Tudo de bom e de moderno, aparentemente. O que, então, aconteceu, para que uma boa aluna, uma garota afetuosa e bem educada, tenha de partir porque a escola se tornou um filme de horror?

Muito se escreve e se fala sobre a violência nas escolas públicas. E o tema é sério e relevante. Mas está na hora de prestarmos mais atenção no que ocorre na outra ponta da desigualdade social refletida no sistema de ensino brasileiro: as escolas privadas de elite. Diante da piora progressiva da qualidade da escola pública, a classe média vem esfolando o orçamento para matricular seus filhos em escolas privadas, com a convicção de que assim têm mais chance em um mundo competitivo.

Por que a classe média não brigou – e não briga – pela qualidade do ensino público em vez de se bandear para a educação privada? Eu mesma cursei o ensino médio em escola pública (uma péssima escola pública, diga-se), mas tomei o mesmo caminho de boa parte dos pais de classe média ao matricular minha filha: esfalfei-me durante 11 anos para pagar um dos colégios privados mais caros de Porto Alegre. Por que não fui brigar por qualidade de ensino dentro da escola pública? Por amor pela minha filha, sem dúvida, mas também por empatia de menos pelo destino dos filhos dos mais pobres, provavelmente. Na hora de escolher, optei por resolver o problema “dos meus”.

Muitas vezes, eu deixava de pagar todas as contas para pagar a escola. Nunca atrasei o colégio para que ela não sofresse constrangimento, nem a luz para não ficarmos no escuro. O restante das despesas atrasei todas durante boa parte desse período, o que me rendia noites recorrentes de insônia e humilhações sem fim diante de gerentes de banco. Mesmo assim, nunca me passou pela cabeça matriculá-la numa escola pública, tão certa eu estava de que fazia o melhor – para a minha filha.

O péssimo desempenho do Estado na educação e a falta de cidadania de gente como eu permitiu que essa situação se perpetuasse até níveis inacreditáveis. O resultado estamos amargando faz tempo, mas não tenho dúvida de que será muito pior em sentidos que ainda não alcançamos por inteiro. As escolas talvez sejam as maiores reprodutoras de desigualdade. Não apenas na questão da qualidade, que determina destinos. Mas no convívio cotidiano, no (não) exercício da solidariedade e do respeito às diferenças. Seja nas públicas ou nas privadas, o que encontramos é uma convivência entre iguais. Nossos filhos não conhecem a diferença, não são beneficiados pela riqueza da diversidade. Não conjugam a tolerância. Quando confrontados com a diferença – e não apenas a socioeconômica –, expulsam-na.

Foi o que aconteceu com a menina desta história. Tempos atrás, ela ligou para a mãe no recreio, implorando para que fosse buscá-la. “Eu não suporto mais ficar aqui”, disse. Suava muito, desesperava-se. Sua mãe respondeu que ela precisava permanecer. E ela está resistindo como pode até o final do ano, para então trocar de escola.

Liguei para minha pequena amiga para saber o que estava acontecendo e propus uma entrevista. Em off, para que ela não fosse mais trucidada na escola do que já é. Ela topou. E aqui está a transcrição literal da nossa conversa, para que seu testemunho possa nos ajudar a pensarmos juntos num problema que é de todos.

Eu: O que aconteceu?
Ela: Eu não sou aceita. Meus colegas me acham meio estranha. Acho que me acham idiota.

Eu: Mas por quê?
Ela: Eu não gosto das conversas deles, me sinto mal. Acho que tenho um jeito diferente de pensar que eles acham bobo.

Eu: Mas que jeito é este?
Ela: Eles gostam de ficar ridicularizando os outros. Eu não quero fazer isso.

Eu: Mas quem eles ridicularizam?
Ela: Nossos colegas que têm dificuldade (portadores de necessidades especiais). Eles às vezes precisam fazer provas mais fáceis. Aí chamam eles de burros, de idiotas. Eu acho isso muito injusto. Queria poder fazer alguma coisa, mas eu não sei o que fazer. E os professores não fazem nada.

Eu: Quem mais eles ridicularizam?
Ela: Gente que não usa roupa de marca, que não gosta do que eles gostam.

Eu: E do que eles gostam?
Ela: De funk, por exemplo. Adoram funk. Eu não gosto de funk, daquelas letras. É muito sem conteúdo. Mas gosto da Hannah Montana e da Rihanna. Eles também gostam daqueles programas de TV que ridicularizam as pessoas. Acham que isso é engraçado. E ficam falando das marcas das roupas que usam. Ah, essa calça é da marca tal. Esses dias uma menina disse para a outra: “Ah, o seu pai é milionário”. Aí essa menina respondeu: “Mi não. Bi-lionário”. Pensei: “E você é bi-polar”. Pensei, mas não disse.

Eu: E o que começaram a fazer contigo?
Ela: Eles não falam comigo. Eu pergunto, não respondem. Sabe, teve uma festa, uma balada, mesmo, que convidaram todo mundo. Eu fui uma das poucas que não fui convidada. Aí só ficavam falando nesta festa. E eu não sei por que eu não fui convidada. Eu nunca fiz nada de ruim para nenhum deles. Não entendo por que não gostam de mim. Minha melhor amiga também começou a me ignorar. Eu chego, ela sai de perto. Ela começou a ficar popular na escola.

Eu: E o que é ser popular na escola?
Ela: É usar roupa de marca e sair pisando em todo mundo.

Eu: O que mais te faz sofrer?
Ela: Ficar sozinha no recreio. Eu queria brincar, conversar, mas não tenho com quem. Só eu e o menino com problema mental ficamos sozinhos no recreio. É muito ruim ficar sozinha no recreio. Eu fico muito triste.

Eu: E por que você não fica com o menino com problema mental?
Ela: Porque ele é menino. Eu não tenho muito o que conversar com menino. Mas eu queria poder fazer alguma coisa. Porque ele fica lá sozinho, desenhando. E eu sei como é ruim ficar sozinha no recreio.

Eu: Por que você acha que seus colegas são assim?
Ela: Eles são que nem os pais deles. Nessa coisa das marcas, do dinheiro. Mas quem cria meus colegas, mesmo, não são os pais. Eles nunca ficam com eles. Eles estão trabalhando ou em jantares. Meus colegas são criados pelas babás. Elas são as mães de verdade deles.

Eu: E como eles tratam os professores?
Ela: Essa minha ex-amiga chama a coordenadora de “idiota” e de “imbecil” na frente dela. Não é pelas costas, é na frente. Ela acha que o pai vai pagar para ela passar de ano. Numa excursão, teve um colega que disse para o monitor: “Essa sua profissão é uma m…”. Eles são assim. Acham que vão herdar o dinheiro dos pais. Mas eu tenho impressão que vão gastar todo o dinheiro bem rápido. E aí não sei como vão fazer para trabalhar.

Eu: Você chora muito?
Ela: Antes eu chorava. Teve um dia que pedi para minha mãe me tirar de lá. Liguei para minha mãe no recreio. Não sei por que eu fiquei assim tão mal. Eu suava. Sabe, fiquei desesperada. Mas agora aprendi a lidar com isso. Estou administrando melhor a situação. Levo um livro para o recreio. Agora estou lendo “Coraline e o mundo secreto”. Você viu o filme? Foi baseado no livro.

Eu: E quando você decidiu mudar de escola?
Ela: Quando fui sentar ao lado de um menino e ele disse: “Desinfeta daí”. Eu fiquei sentada onde eu estava. Mas sei que ele não diria isso para outra menina. Acho que falou para mim porque eu não fui convidada para aquela festa. Eu estava aguentando, mas aí foi a gota d’água.

Eu: Você acha que no novo colégio vai ser diferente?
Ela: É uma escola maior. Tem mais gente. Então, deve ter alguém mais parecido comigo, né?

Espero que sim. Desliguei o telefone com medo dos pequenos monstros que conseguem expulsar de seu mundinho alguém tão doce quanto a minha amiga. O que eles vão fazer com o mundo maior quando crescerem? Que tipo de elite nossas escolas estão formando, para além de se dar bem no vestibular e no mercado de trabalho? O cotidiano nas escolas privadas do país pode ajudar a explicar o que acontece hoje nas esferas de poder da vida brasileira.

A crueldade infantil não é novidade. O massacre daqueles que usam óculos, são gordos ou diferentes de alguma maneira é um clássico. Bullying é a palavra inglesa para o abuso físico e psicológico cometido contra indivíduos e grupos mais fracos. Nos últimos anos, tem crescido o número de reportagens na imprensa sobre o bullying na escola. Parece-me que há algo novo neste cenário. E bem mais perverso do que as formas habituais de maldade infantil.

Minha amiga foi sendo expulsa porque está sozinha. Sua esperança na nova escola é conseguir formar um grupo com valores mais semelhantes aos dela para resistir. Para, de alguma maneira, sentir-se parte, para então ter alguma possibilidade de interlocução com outros modos de existir. O modelo brasileiro de ensino – resultado de uma das maiores desigualdades do planeta e do declínio da escola pública – caracteriza-se por um mundo escolar cada vez mais igual dentro dos muros. Nos respectivos guetos, o espaço para toda a diferença parece ter sido suprimido.

Estou generalizando? Pode ser. Mas apenas converse com um professor de escola privada de elite para que ele conte suas peripécias cotidianas com estes mais iguais que os outros. Já tenho sido vítima destas crianças sem limites, sem cultura e sem educação que me atropelam nos corredores dos shoppings e restaurantes, que gritam suas exigências e fazem cenas públicas, sem que seus pais tomem qualquer atitude além de prometer algo em troca de sua colaboração.

Acho que está passando da hora de entender que há um tipo de violência sendo exercido e perpetuado nas escolas privadas de elite. E que essa violência é refletida também lá, nas escolas de periferia, onde a agressão é armada. As violências destes mundos escolares só aparentemente antagônicos se retroalimentam. Uma existe também por causa da outra. Há uma infância supostamente protegida e com todos os acessos abertos ao conhecimento e ao melhor que o dinheiro pode comprar – e outra desprotegida de tudo, que só recebe o pior. Separadas por grades, muros e cercas eletrificadas, uma desconhece a outra. Muitas vezes vão se cruzar mais tarde, pela violência, em alguma esquina da cidade. E são os pais e as mães destes meninos desprotegidos que alguns dos protegidos desrespeitam nos corredores de suas escolas iluminadas, ao encontrarem-nos limpando o chão ou exercendo serviços que consideram, como disse o menino na excursão, “uma m.”.

A escola deveria promover a intersecção dos mundos. É nos bancos escolares que as diferentes realidades – não só a socioeconômica, mas também ela – deveriam se cruzar e dialogar. É na desigualdade de idéias, de culturas e de visões de mundo que se aprende e se avança. Esta desigualdade do bem, porém, foi banida do modelo de ensino. Em vez disso, a escola transformou-se em reprodutora da desigualdade perversa: a socioeconômica, com todos os seus (des)valores correlatos. A escola é resultado da desigualdade socioeconômica e de uma sucessão de políticas desastrosas de ensino. Mas, se é criatura deste mundo, é também criadora, ao reproduzi-lo. Ao transformar-se numa linha de produção da desigualdade que beneficia os mais iguais de sempre, deixa de educar. Este, me parece, é o dilema atual. Ou, pelo menos, um dos grandes.

A ilusão dos pais de filhos em escolas privadas é de que, ao colocá-los lá, garantem a sua proteção. Seus filhos não perdem nada. Quem perde são os filhos dos outros, que não conseguem pagar a mensalidade. Engano. Perdemos todos. A eliminação da diversidade trará consequências mais perversas do que me parece que pais e autoridades têm percebido. Sem diferença não há diálogo. É possível educar sem diversidade? Há aprendizado de fato sem dissonância? Duvido.

Nas escolas de elite, os estudantes ameaçam professores e funcionários não com pistolas, mas com outro tipo de arma: “Sou eu que pago seu salário!” ou “Meu pai vai mandar te demitir!”. Quantos professores já não ouviram frases como essa ao tentar impor limites na sala de aula para esses projetos de déspotas? Já testemunhei professores esvaindo-se em lágrimas e jurando mudar de profissão. E não davam aulas em escolas com esgoto a céu aberto.

“Estas crianças são criadas pelas babás”, disse a mãe da minha amiga. “Ou seja: elas já mandam desde pequenas naquelas que deveriam ser uma autoridade. Se elas podem demitir a pessoa que está no lugar de autoridade, o que se pode esperar?” Ela tem razão. E é bom começarmos a refletir com mais seriedade sobre esse fenômeno contemporâneo.

Minha filha sofreu muito na escola privada. Ela não tinha tênis nem roupas de grife, entre outros defeitos inaceitáveis. Eu disse a ela que o mundo era duro e que ela precisava enfrentar esse tipo de gente desde sempre. Ela enfrentou. Na vigésima vez que o filhinho de papai ridicularizou a sua roupa, ela bateu no menino. Foi uma boa saída? Claro que não. Mas foi o que ela conseguiu fazer diante da minha surdez.

O mais curioso, mas nem tanto, é que em vez de minha filha ser punida por ter agredido o colega, foi parabenizada pelos professores. Um a um eles vinham cumprimentá-la e dar parabéns. De algum modo, ela vingava a humilhação cotidiana de todos eles. Mas seria esta uma boa pedagogia? Estaria esta resposta à altura de alguém que estava ali para ensinar? O episódio não teria sido uma boa oportunidade para discutir, refletir e aprender? Parece-me que também os professores, por diversas razões – e também pela humilhação cotidiana –, não conseguiam estar no lugar que deveriam, não era possível ali a dialética entre mestre e discípulo.

“Talvez tudo o que esses garotos sabem dos pais é que são ricos. Criados por babás, tentam manter esse traço, esse significante do rico/pobre para manter em si os pais que de certo modo não existem”, comentou minha filha, hoje adulta, depois de ler este texto. “Não estou justificando”, disse. “Só pensando.” Seu comentário me fez perceber que estas crianças e adolescentes que fazem sofrer também devem sofrer muito. Afinal, eles não são monstrinhos, como tendemos a pensar. Se fossem, seria mais fácil. São gente. E gente sofre.

Desejo sorte à minha pequena amiga na nova escola. A melhor resistência é continuar sendo ela mesma. Mas temo pela sorte de todos nós no futuro próximo se não enfrentarmos a violência não apenas nas escolas da periferia, mas nos prédios imponentes e caros do lado privilegiado do mundo. Uma violência que começa não fora, mas dentro de casa, tendo os pais como cúmplices – quando não como exemplos.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras)

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI95467-15230,00.html

Filme: Entre os muros da escola

Entre Les Murs (França, 2008).

De Laurent Cantet. Com François Bégaudeau. Cores. Duração 128’.

Professor de uma escola francesa tem de lidar com seus alunos, uma mistura de jovens e crianças dos subúrbios parisienses. Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Baseado em livro homônimo de François Bégaudeau, em que relata sua experiência como professor de francês em uma escola de ensino médio na periferia parisiense, lugar de mistura étnica e social, um microcosmo da França contemporânea.

Disponível nas lojas em DVD/vídeo

Download: http://www.megaupload.com/?d=8TTYU2B6