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O nosso Cristo Redentor precisa de pelo menos mais 9 milhões de votos e já está em 9º lugar.
Afinal, o que seria de nosso País sem Ele em nossos corações.
A estrada de rodagem que dá acesso ao local onde hoje se situa o Cristo Redentor foi construída em 1824. Já a estrada de ferro teve seu primeiro trecho (Cosme Velho-Paineiras) inaugurado em 1884. No ano seguinte, 1885, o segundo trecho foi concluido, completando a ligação com o cume. A ferrovia, que tem 3.800 metros de extensão, foi a primeira ser eletrificada no Brasil, em 1906.
Alguns historiadores especulam que o monumento seria um presente da França para o Brasil em resposta a alguma tentativas de invasão.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) em 1937, o monumento sobre obras de recuperação em 1980, quando da visita do papa João Paulo II e novamente em 1990. Outro conjunto de obras importantes foi feito em 2003, quando foi inaugurado um sistema de escadas rolantes para facilitar o acesso à plataforma de onde se eleva a estátua.
Aroeira beira de mar
Salve Deus e Tiago e Humaitá
Eta, costão de pedra dos home brabo do mar
Eh, Xangô, vê se me ajuda a chegar
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar…
LER DEVIA SER PROÍBIDO
LER DEVIA SER PROÍBIDO
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos. Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação. Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais? Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido. Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas. Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro. Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade. O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura? É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida. Ler pode tornar o homem perigosamente humano. Guiomar de Grammon In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3
http://www.youtube.com/watch?v=57hum9zwjZc
Vídeo com áudio: Ler devia ser proíbido
A magia da tradição oral
Despertar da identidade negra na educação infantil
Interpretação de contos
http://www.esnips.com/doc/4294846b-c260-4af0-9ae8-f9f993008ee4/Interpretao-de-alguns-contos
A MAGIA DA TRADIÇÃO ORAL: O Contador de Histórias
Franz Kreüther Pereira, 1998.
Antigamente, o contador de histórias era um tipo necessário para a população que não contava com a televisão e seus recursos. Desempenhava ele um dos papéis mais importantes na educação das crianças: dava-lhes os elementos necessários para a compreensão da realidade, que muitas vezes parecia-lhes adversa, medonha, sombria. Através de suas histórias, seus “causos”, fábulas, lendas, etc. o contador apresentava uma visão de mundo, com seus conflitos humanos e sociais, com suas lições de vida, as quais o ouvinte iria recorrer em algum momento de sua vida.
Originalmente, os “contos” eram narrados na Idade Média, durante as noites invernosas nos castelos “mal-assombrados”, nas fazendas isoladas, nas aldeias espalhadas pelos campos, com a finalidade de trocar experiências e afastar os temores e Aflições pela corrente de força criada pelo grupo quando reunidos ao redor do “contador”. A luz bruxuleante das fogueiras ou das lareiras acesas, projetava sombras fantasmagóricas ao redor do grupo e atiçava-lhes a, já fértil, imaginação. O mundo de então era povoado de monstros, dragões, demônios, magos e feiticeiros, por seres encantados e encantadores. A magia pairava no ar, espalhava-se nas fumaças das fogueiras e chaminés, escondia-se nas sombras, despertava no crepitar do fogo. É nesse ambiente que surge a importante figura do Contador de Histórias.
Além de repetir estórias, o contador também as criava, à medida que observava as reações de seus ouvintes. A educadora Bárbara Freitag, num excelente artigo para o “Jornal da Alfabetizadora” intitulado “O Conto de fadas na sala de aula” (nº 13. 1991, 17-19) atesta que o narrador “era ao mesmo tempo inventor e repetidor de ‘estórias’ .E acrescenta: ” elas são verdadeiras formações arqueológicas, compostas de camadas e camadas de saber popular, em que dificilmente se distingue o que cada narrador posterior acrescentou, omitiu ou distorceu do conto ‘original’.” Trocando em miúdos, isso quer dizer que quem conta um conto aumenta um ponto.
A narração tem o poder da palavra, do som e suas inflexões, aliada ao gestual simbólico do narrador.
A narração não é uma declamação, é uma prosa, e sofre modificações conforme o ambiente, a ocasião, a platéia.
Um “contador” conhece e utiliza, mesmo que intuitivamente, quase todas as figuras de linguagem (como metáforas e catacreses), figuras de sintaxe (ênfase no pleonasmo) e figuras de pensamento (principalmente a hipérbole e a prosopopéia). Dessa forma, a narração de uma história, de um conto, lenda ou mito, ganha um enorme poder, podemos até mesmo dizer, hipnótico, capaz de transformar a fantasia em realidade, de evocar emoções, de fazer o ouvinte “viajar” nas asas da imaginação. E a criança acostumada a ouvir histórias desenvolve e estimula a imaginação, além de também desenvolver o gosto pela leitura e pelas pesquisas.
A leitura deve servir para que se possa ampliar os referenciais de mundo, e não para um acúmulo de informações. Para acumular informações existem os computadores. E para abrir caminho à leitura, nada é melhor.
do que ouvir histórias contadas pelos antigos, pelos avós; os ‘causos’ sucedidos com os mais velhos, as novelas míticas tão cheias de magia e encantamento. Contar histórias não é só uma arte que guarda as tradições culturais de um povo, é compartilhar informações de caráter social, lições de moral e costumes, além de fornecer subsídios para uma educação informal.
“Essas narrativas são formas muito especiais de interpretar, analisar e superar os dramas fundamentais da existência humana: a experiência do bem e do mal, da justiça e da injustiça, do amor e do ódio; a existência de normas e proibições; as questões em torno do enigma da vida, de nossa origem, de nossa morte” (Freitag, op cit)
Antes do advento da televisão era o rádio quem contava histórias, e reunia ao seu derredor corações e mentes mergulhadas na fantasia. Uma prova disso é a célebre novela radiofonizada por Orson Wells, em 1940.
Wells transmitiu a “invasão da Terra por marcianos” como se ele a estivesse assistindo e a transmissão fosse ao vivo. Usava pobres e improvisados recursos de sonoplastia, contudo criativos, e os efeitos sobre os ouvintes foram de um tal realismo que provocou pânico geral na população… e entrou para a história!
Pelo final da década de 50, início de 60 havia um programa numa emissora de rádio do Rio de Janeiro que, se não me falha a memória, chamava-se “Histórias de Trancoso”. Antigamente, muita gente se referia as “histórias de Trancoso”. Gonçalo Fernandes Trancoso1 foi o primeiro cronista português (pelos idos do séc. XVI). Naquela época também se falava das “histórias do Arco da Velha” ou “da Carochinha”. Havia ainda o hábito, gostoso, de ouvir histórias infantis “do tempo em que os bichos falavam”, como dizia a(o) narrador(a). A coqueluche, porém, eram as radionovelas, como a quilométrica “O Direito de Nascer”; e as minhas preferidas:
“Gerônimo, o Herói do Sertão”, novela de Moisés Weltman (1957-1965); ” O Anjo” (1959)”, personagem criado por Álvaro Aguiar (talvez inspirado no herói norte americano “O Santo”); “Radar, o Homem do Espaço”, no estilo Flash Gordon.
Com a chegada da televisão, o rádio perdeu muito de seu encanto, seu feitiço e magia, e ouvir histórias ao pé do rádio deixou de ser o programa da família. O Contador de Histórias, que vivia por detrás das válvulas e alto-falantes, abandonou a desconfortável moradia e mudou-se para a nova mídia: foi ser autor de novelas televisivas. E o brasileiro adquiriu o hábito de comentar as novelas exibidas na TV; contar para um (a) amigo (a) os capítulos perdidos e, principalmente, se deixar envolver pelos personagens e pela trama, ao ponto de confundir o ator ou atriz com a personagem. Isso revela como a fantasia exerce uma força muito grande sobre as pessoas, e que o homem contemporâneo, que convive com a avançada tecnologia, ainda guarda uma porção significativa do homem medieval: basta ver o aumento da crença em patuás, amuletos, videntes, etc.
Hoje as emissoras de rádio já não apresentam mais novelas radiofônicas, o que ao meu ver é uma bobeira de seus diretores, pois público com certeza existe. Outra coisa lamentável nas programações das rádios atuais é a ausência de um segmento dirigido especificamente para o público infantil. Até a poucos anos, aqui em Belém, a Rádio Cultura apresentava um excelente programa para as crianças, denominado “Abracadabra”*, que sumiu como num passe de mágica: Abracadabra!…
Toda criança gosta de ouvir histórias. A fantasia lhes é saudável e necessária como o ato de brincar.
Para elas brincar é exercitar a imaginação. Mesmo que a criança tenha acesso a discos e fitas, ou aos livros, a TV, ao vídeo, ao computador, não dispensa a participação de um adulto como narrador “a vivo”, aspergindo a magia da oralidade, na hora de dormir.
Como dizia minha avó:
“Entrei pela perna do pato, saí pela perna do pinto, quem quiser que conte cinco…“
Nota:* Neste ano (2000), a Rádio Cultura FM retornou com sua programação infantil, incluindo o excelente Abracadabra. 1 – Veja-se Histórias de Trancoso. Ed. Cátedra, 1983.
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LUMINÁRIAS PARA FESTA JUNINA
LUMINÁRIAS PARA FESTA JUNINAMateriais:
Papel de parede
Pincel chato condor
Garrafa pet 2 litros
Tesoura
Papel Sulfite
Caneta
Fita adesiva
Modo de preparo:
Corte a parte superior e inferior da garrafa pet conservando somente o meio com aproximadamente 17cm.
Faça um desenho com a canetinha na folha sulfite.
Prenda a folha por dentro da garrafa com o auxilio do durex.
Selecione as cores que preencherão o desenho e pique com a tesoura.
Cole na parte externa do cilindro, passando com a cola branca com o pincel.
Preencha todo desenho, retire o desenho da parte interna, faça 2 cortes nas laterais superiores para segurar o fio da lâmpada. Sites: http://www.recicloteca.org.br/Default.asp
http://www.cmfolclore.ufma.br/Htmls/Boletim%2011.htm
http://mosaicobrasil3.spaces.live.com/feed.rss
http://blog.orolix.com.br/blog/brincandoeducando/
http://www.festajunina.com.br/
http://www.abril.com.br/festa_junina/
http://www.suapesquisa.com/musicacultura/historia_festa_junina.htm
http://www.terra.com.br/criancas/festajunina/
http://www.rosanevolpatto.trd.br/festajunina.htm
http://www1.uol.com.br/ecokids/hotsite/2001/junina/junina.htm
http://www.lendorelendogabi.com/datas/datas_brincadeiras_juninas.htm
http://www.nippobrasil.com.br/2.semanal.artesanato/312.shtml
http://manequim.abril.ig.com.br/
http://fazendoartenaescola.zip.net/
Senhora das tempestades
SENHORA DAS TEMPESTADES
(Poesia de Manuel Alegre)
Senhora das tempestades e dos mistérios originais
Quando tu chegas, a terra treme do lado esquerdo
Trazes a assombração
As conjunções fatais
E as vozes negras da noite
Senhora do meu espanto e do meu medo
Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
Há uma lua do avesso quando chegas
Há um poema escrito em página nenhuma
Quando caminhas sobre as águas
Senhora dos sete mares
Conjugação de fogo e luz
E no entanto eclipse
Trazes a linha magnética da minha vida
Senhora da minha morte
Quando tu chegas, começa a música
Senhora dos cabelos de alga
Onde se escondem as divindades
Trazes o mar, a chuva, as procelas
Batem as sílabas da noite
Batem os sons, os signos, os sinais
E és tu a voz que dita
Trazes a festa e a despedida
Senhora dos instantes com tua rosa dos ventos
E teu cruzeiro do sul
Senhora dos navegantes
Com teu astrolábio e tua errância
Tudo em ti é partida
Tudo em ti é distância
Tudo em ti é retorno
Senhora do vento
Com teu cavalo cor de acaso
Teu chicote, tua ternura
Sobre a tristeza e a agonia
Galopas no meu sangue com teu cateter chamado
Pégaso
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos
Quando tu chegas, dançam as divindades
E tudo é uma alquimia
Tudo em ti é milagre
Senhora da energia
A felicidade
Uma notinha instigante no jornal Zero Hora, de Porto Alegre/RS, publicada em 30 de setembro passado:
foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos.
Quem participou desse encontro?
Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.
A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, diz:
“Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes”. É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba, praia de santa Catarina muito freqüentada por jovens e surfistas.
Os tais momentos felizes.
Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse.
Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.
Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem:
Depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.
Depois que cumprimos as missões impostas no berço - ter uma profissão, casar e procriar - passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos.
Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite certa loucura. Depois dos 35, conforme descobríramos participantes daquele congresso curioso estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.
Apaixonar-se por si mesmo
Apaixonar-se por si mesmo!
por Marta Medeiros
E então, viver e não ter a vergonha de ser feliz ….
“Hoje é o momento ideal pra falar de sacanagem. Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludi-lo. Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo prá gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.”

