A casa sonolenta - Audrey Wood

A história infantil A Casa Sonolenta, um texto narrativo e descritivo, é mais um bom exemplo de como a seqüência é fundamental para que se estabeleça a coerência textual.

Era uma vez
uma casa sonolenta
onde todos viviam dormindo

Nessa casa
tinha uma cama
uma cama aconchegante,
numa casa sonolenta,
onde todos viviam dormindo.
Nessa cama
tinha uma avó,
uma avó roncando,
numa cama aconchegante,
numa casa sonolenta,
onde todos viviam dormindo.

Em cima dessa avó
tinha um menino,
um menino sonhando,
em cima de uma avó roncando,
numa cama aconchegante,
numa casa sonolenta,
onde todos viviam dormindo.

Em cima desse menino
tinha um cachorro,
um cachorro cochilando,
em cima de um menino sonhando,
em cima de uma avó roncando,
numa cama aconchegante,
numa casa sonolenta,
onde todos viviam dormindo.

Em cima desse cachorro tinha um gato
um gato ressonando,
em cima de um cachorro cochilando,
em cima de um menino sonhando,
em cima de uma avó roncando,
numa cama aconchegante,
numa casa sonolenta,
onde todos viviam dormindo.

Em cima desse gato
tinha um rato,
um rato dormitando,
em cima de um gato ressonando,
em cima de um cachorro cochilando,
em cima de um menino sonhando,
em cima de uma avó roncando,
numa cama aconchegante,
numa casa sonolenta,
onde todos viviam dormindo.

E em cima desse rato
tinha uma pulga…

Será possível?
Um pulga acordada,
que picou o rato,
que assustou o gato,
que arranhou o cachorro,
que caiu sobre o menino,
que deu um susto na avó,
que quebrou a cama,
numa casa sonolenta,
onde ninguém mais estava dormindo.

AUDREY WOOD

A história se estrutura com base em dois momentos:

1º momento - todos estão dormindo.
2º momento - todos acordam, cada um por sua vez, movidos pela ação da pulga.

A coerência, na primeira parte, se dá pela escolha de vocábulos do campo semântico de dormir - cama, sonolenta, aconchegante, roncando, sonhando, ressonando, dormitando, cochilando. Não houve repetição de nenhum verbo, e cada um deles foi combinado coerentemente com cada habitante da casa. O caráter descritivo desta parte se apóia em adjetivos (caracterizando os seres inanimados) e verbos no gerúndio e pretérito imperfeito (atribuídos aos seres animados).

A segunda parte do texto apresenta a mudança desencadeada a partir da picada da pulga. Os verbos estão no pretérito perfeito, marcando a ação finalizada.

casa sonolenta
casa acordada
dormindo
roncando
sonhando
ressonando
cochilando
viviam
tinha
picou
assustou
arranhou
caiu
deu
quebrou

 

http://acd.ufrj.br/~pead/tema09/textoecoerencia.html

This entry was posted on Wednesday, August 8th, 2007 at 7:13 am and is filed under Uncategorized. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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