I FEIRA DE LIVROS DE SÃO LUÍS - 18 A 27 DE OUTUBRO DE 2007

Escritores marcarão presença na I Feira do Livro

A Feira acontece em outubro
.

Notícia Completa:


A romancista carioca Nélida Piñon e o escritor paulista Ignácio Loyola Brandão confirmaram presença na I Feira do Livro de São Luís, que acontecerá no período de 18 a 27 de outubro, na Praça Maria Aragão. O evento é promovido pela Prefeitura de São Luís, por meio da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc). Além de encontrar uma grande variedade de livros, o público que comparecer à feira irá desfrutar de uma intensa programação artística e cultural, com a presença de nomes consagrados da literatura brasileira e maranhense.

Um dos espaços de maior destaque da Feira será o Salão do Escritor, que funcionará, a partir do dia 19, às 19hs, no Auditório Josué Montello (Praça Maria Aragão), trazendo sempre uma personalidade da literatura nacional. O escritor amazonense Thiago de Mello, autor de livros de poesia e prosa, como A Lenda da Rosa (1956), De uma Vez por Todas (1996), A Estrela da Manhã (1968), Borges na Luz de Borges (1993), entre outros, será o primeiro a encontrar o público maranhense. No dia 20, será a vez do mineiro Affonso Romano de Sant’Anna, autor de livros de poesia, prosa, ensaios e crônicas, como Vestígios (2005), Pequenas seduções (2002), A sedução da palavra (2000), entre outros.

A cearense Ana Miranda, autora de obras como Boca do Inferno (1989), A última quimera (1995), Dias e Dias (2002), entre outros, será a presença ilustre do dia 21. Já no dia 22, será a vez do gaúcho Moacyr Scliar, autor de títulos como Cenas da vida minúscula (1991), Sonhos tropicais (1993), Um país chamado infância (1989). A romancista carioca Nélida Piñon, autora de O Calor das Coisas (1989), A doce canção de Caetana (1987), A roda do vento (1996), entre outros, estará no Salão do Escritor no dia 23, resgatando sua trajetória na literária.

No dia 24, o escritor português Adriano Duarte Rodrigues falará um pouco de suas obras, entre elas Estratégias da Comunicação (1990), Comunicação e Cultura (1994), Dimensões pragmáticas do sentido (1996), que abordam a questão da comunicação. O mineiro Bartolomeu Campos de Queirós, com atuação destacada na literatura infanto-juvenil, com obras como Cavaleiro das sete luas (2001), Onde tem bruxa tem fada, Indez, entre outras, será a atração do dia 25. No dia 26 será a vez de o público encontrar o paulista Ignácio de Loyola Brandão, autor de obras como A Bebel que a Cidade Comeu (1968), Zero (1979), A Veia Bailarina (1997).

A programação do Salão do Escritor da Feira do Livro de São Luís será encerrada, no dia 27, com a presença do consagrado escritor paraibano Ariano Suassuna. Autor de obras como Uma mulher vestida de sol (1947), O Santo e A Porca (1957), O Auto da Compadecida (1955), o romancista, teatrólogo, advogado e professor Ariano Suassuna fará a palestra de encerramento da Feira do Livro de São Luís e receberá uma homenagem por sua trajetória na literatura brasileira.

Estrutura – A I Feira do Livro de São Luís funcionará em uma grande estrutura, montada na Praça Maria Aragão, com 74 stands de 300 editoras, onde o público poderá encontrar 50 mil títulos de diversos gêneros literários. O evento também terá lançamentos e relançamentos de 40 livros de escritores maranhense, além de recitais de poesias, apresentações artísticas, exibição de filmes, exposições, oficinas, entre outras atrações.

Os maranhenses Ceres Costa Fernandes, Laura Amélia Damous, Sebastião Duarte, Sônia Almeida, Paulo Melo Sousa, Alberico Carneiro, entre outros, participarão de um café literário que acorrerá na praça Maria Aragão, dias 19 a 27, às 17h.

 



A unanimidade Inteligente

A UNANIMIDADE INTELIGENTE



Gabriel Perissé


Muitas pessoas, sem pensar, usam a terrível afirmação de Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. E imagino que Nelson chamaria de “cretinos fundamentais” ou de “grã-finas com narinas de cadáver” (dependendo do caso) aqueles a quem ouvisse repetir esta sua famosa frase.

Trata-se de uma frase de efeito. Como aquela outra: “Nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais”. Ou esta: “Um suicida já nasce suicida”. Expressões que Nelson colecionava para nos fazer refletir, provocar polêmica, e não para encerrar discussões ou aumentar o número de lugares-comuns.

Frase de efeito que é também armadilha de Nelson. Quando todo mundo concordar que toda a unanimidade é burra ficará comprovado que toda a unanimidade é burra mesmo!

A palavra “unanimidade” vem do latim unanimis. Significa, simplesmente, que duas ou mais pessoas vivem com um (unus) só ânimo (animus). Um time de futebol bem treinado, uma equipe de trabalho bem articulada, dois amigos leais, um casal que pensa e age em harmonia são exemplos de unanimidade inteligente.

Em dados contextos, sim, a unanimidade pode ser burra. É burrice todos obedecerem cegamente a uma ordem que vem não se sabe de onde com finalidades obscuras ou inconfessáveis. É burrice, por exemplo, comprarmos um livro pelo único fato de ele constar da lista dos mais vendidos. Unanimidade inteligente começa na alma de cada um. Começa na individualidade. Na luta pessoal contra as nossas intolerâncias, contra essa tendência a só sentir as próprias dores, a observar o mundo pelo buraco de um canudinho.

Unanimidade inteligente requer a liberdade de distinguir entre o direito nosso de questionar e o dever nosso de comprometer-nos. Requer, mais ainda, a capacidade de reconhecer que podemos estar errados e a maioria estar certa…

Existem unanimidades excepcionais. Os especialistas da educação são unânimes, por exemplo, ao afirmar que todo aluno pode descobrir o prazer de aprender. Esta verdade ajudará os professores a trabalharem com ânimo e esperança.

Espero que sejamos unânimes, também, quanto a certas idéias e valores que nos obrigam a repensar nossa conduta, pedir perdão, desdizer o que dissemos, enfim, melhorarmos como pessoas.

O ser humano é perfectível. Seremos mais humanos se formos unânimes naquilo que valha a pena. A melhor forma de vencer a unanimidade burra é participar da unanimidade inteligente.

(HTTP://www.correiocidadania.com.br/ed408/perisse.htm)



Uma carta Para Maria - Herbert de Souza

Uma Carta Para Maria

Carta escrita por Herbert de Souza (o Betinho) para sua mulher Maria e lida, um ano após sua morte, pelo ator Jonas Bloch, durante a cerimônia no CCBB:

“Este texto é para Maria ler depois da minha morte que, segundo meus cálculos, não deve demorar muito. É uma declaração de amor.

Não tenho pressa em morrer, assim como não tenho pressa em terminar esta carta. Vou voltar a ela quantas vezes puder e trabalhar com carinho e cuidado cada palavra. Uma carta para Maria tem que ter todos os cuidados. Não quero triste, quero fazer dela também um pedaço de vida pela via de lembrança que é a nossa eternidade. Nos conhecemos nas reuniões de AP (Ação Popular), em 1970, em pleno Maoísmo. Havia uma clima de sectarismo e medo nada propício para o amor.

Antes de me aventurar andei fazendo umas sondagens e os sinais eram animadores, apesar de misteriosos. Mas tínhamos que começar o namoro de alguma forma. Foi no ônibus da Vila das Belezas, em São Paulo. Saímos em direção ao fim da linha como quem busca um começo. E aí veio o primeiro beijo, sem jeito, espremido, mas gostoso, um beijo público. A barreira da distância estava rompida para dar começo a uma relação que já completou 26 anos!

O Maoísmo estava na China, nosso amor na São João. Era muito mais forte que qualquer ideologia. Era a vida em nós, tão sacrificada na clandestinidade sem sentido e sem futuro. Fomos viver em um quarto e cozinha, minúsculos, nos fundos de uma casa pobre, perto da Igreja da Penha. No lugar cabia nossa cama, uma mesinha, coisas de cozinha e nada mais. Mas como fizemos amor naquele tempo! Foi incrível e seguramente nunca tivemos tanto prazer.

Tempos de chumbo, de medo, de susto e insegurança. Medo de dia, amor de noite. Assim vivemos por quase um ano. Até que tudo começou a “cair”. Prisões, torturas, polícia por toda a parte, o inferno na nossa frente. Fomos para o Chile. E ali, chamado por Garcez para
elaborar textos, acabei no agrado de Allende, que os usou em seus discursos oficiais. Foi a primeira vez que eu vi amor virar discurso politico… Depois passamos por muita coisa até voltar. Até que a anistia chegou e nos surpreendeu. E agora, o que fazer com o Brasil?
Foi um turbilhão de emoções: o sonho virou realidade! Era verdade, o Brasil era nosso de novo. A primeira coisa foi comer tudo que não havíamos comido no exílio: angu! com galinha ao molho pardo, quiabo com carne moída, chuchu com maxixe, abóbora, cozido, feijoada. Um
festival de saudades culinárias, um reencontro com o Brasil pela boca.

Uma das maiores emoções da minha vida foi ver o Henrique surgindo de dentro de você. Emoção sem fim e sem limite que me fez reencontrar a infância.

Depois do exílio, nossas vidas pareciam bem normais. Trabalhávamos; viajávamos nas férias, visitávamos os amigos, o Ibase funcionava, até a hemofilia parecia que havia dado uma trégua. Henrique crescia, Daniel aos poucos se reaproximava de mim, já como filho e amigo.

Mas como uma tragédia que vem às cegas e entra pelas nossas vidas, estávamos diante do que nunca esperei. A Aids. Em 1985, surge a notícia da epidemia que atingia homossexuais, drogados e hemofílicos. O pânico foi geral. Eu, é claro, havia entrado nessa. Não bastava ter nascido mineiro, católico, hemofílico, maoísta e meio deficiente físico.

Era necessário entrar na onda mundial, na praga do século, mortal, definitiva, sem cura, sem futuro e fatal. E foi aí que você, mais do que nunca, revelou que é capaz de superar a tragédia, sofrendo, mas enfrentando tudo e com um grande carinho e cuidado. A Aids selou um
amor mais forte e mais definitivo porque desafia tudo, o medo, a tentação do desespero, o desânimo diante do futuro. Continuar tudo apesar de tudo, o beijo, o carinho e a sensualidade.

Assumi publicamente minha condição de soropositivo e você me acompanhou. Nunca pôs um “senão” ou um comentário sobre cuidados necessários. Deu a mão e seguiu junto como se fosse metade de mim, inseparável. E foi. Desde os tempos do cólera, da não esperança, da morte do Henfil e Chico, passando pelas crises que beiravam a morte até o coquetel que reabria as esperanças. Tempo curto para descrever, mas uma eternidade para se viver.

Um dos maiores problemas da Aids é o sexo. Ter relações com todos os cuidados ou não ter? Todos os cuidados são suficientes ou não se deve correr riscos com a pessoa amada? Passamos por todas as fases, desde o sexo com uma ou duas camisinhas até sexo nenhum, só carinho. Preferi a segurança total ao mínimo risco.

Parei, paramos e sem dramas, com carências, mas sem dramas, como se fosse normal viver contrariando tudo que aprendemos como homem e mulher, vivendo a sensualidade da música, da boa comida, da literatura, da invenção, dos pequenos prazeres e da paz. Viver é muito mais que fazer sexo. Mas para se viver isso, é necessário que Maria também sinta assim e seja capaz dessa metamorfose como foi.

Para se falar de uma pessoa com total liberdade é necessário que uma esteja morta e eu sei que este será o meu caso. Irei ao meu enterro sem grandes penas e principalmente sem trabalho, carregado. Não tenho curiosidade para saber quando, mas sei que não demora muito.

Quero morrer em paz, na cama, sem dor, com Maria do meu lado e sem muitos amigos, porque a morte não é ocasião para se chorar, mas para celebrar um fim, uma história.Tenho muita pena das pessoas que morrem sozinhas ou mal acompanhadas, é morrer muitas vezes em uma só. Morrer sem o outro é partir sozinho. O olhar do outro é que te faz viver e descansar em paz
.O ideal é que pudesse morrer na minha cama e sem dor, tomando um saquê gelado, um bom vinho português ou uma cerveja gelada.

Te amo para sempre,

Betinho,

Itatiaia, janeiro de 1997″

Extraída do “Jornal da Orla” de Santos, SP, ao dia 24 janeiro 1999.

“Temos sociólogos bons e medíocres. Uns acabam professores, outros presidentes da República” (Herbert de Souza, sociólogo)



Três Mulheres: Frida Kahlo * Olga Benário * Virginia Woolf

TRÊS MULHERES
OLGA BENÁRIO, FRIDA KAHLO E VIRGINIA WOOLF:
VALENTES, CONQUISTADORAS DA SUA ESSÊNCIA

Três mulheres que acreditavam…

Olga Benário acreditou no AMOR
Frida Kahlo acreditou na VIDA
Virgínia Woolf acreditou nos seus PENSAMENTOS

Mulheres sinceras consigo mesmas, capazes de movimentar as suas vidas a partir das suas angústias pessoais, sem respostas e sem um fio condutor. Jorros de pensamentos, de criatividade, de atos corajosos e determinados, de idealismos. Movidas por sua essência, suas verdades.
Mulheres “intrusas” num tempo de homens. Mas que deixaram marcas essencialmente femininas. Olga, Frida, Virgínia, mantiveram-se inteiras até o fim! Souberam viver e morrer.
Acreditaram em si mesmas, no que pensavam, no que sentiam. Não podemos fugir do que somos, nem do que pensamos. Podemos sim, fugir daquilo que os outros desejam que sejamos, ou pensemos.
A força do ser humano vem do ACREDITAR (creditum= confiança) e da segurança que isso traz. Três mulheres que, entre tantas outras, acreditaram em si mesmas.

FRIDA acreditou na vida, tanto, tanto, que expressou, através da arte, a sua própria realidade: sua imagem, suas dores, suas cores, medos, seu corpo de mulher, destroçado. Não se comoveu com a auto-piedade.

“Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade“.

OLGA acreditou no sentimento que leva o ser humano à plenitude: o amor. E por ele, e através dele, enfrentou corajosamente as atrocidades da guerra, e não permitiu que ele fosse destruído.

“Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão por que se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue”. (Trecho da carta de despedida, escrita por Olga)

VIRGINIA acreditou na Alma, na SUA Alma, nas sutilezas e detalhes. Observou tantos desencontros entre as suas verdades e as verdades proferidas pelas pessoas que queriam decidir por ela!

“… Não deixou peças ou poemas pelos quais possamos julgá-la.”



O Casal quase perfeito

Um brinde ao respeito, a fidelidade e ao amor

O Casal quase perfeito

O casamento quase perfeito é a união de duas liberdades.
O homem é livre. A mulher é livre.
Mas o amor é tão forte, que os dois consideram a sua união um bem maior
do que a sua liberdade.
E renunciam a tudo para ter filhos e vê-los crescer com amor.

Não existe casamento perfeito.
O máximo que um casal consegue é um casamento quase perfeito.
Um casal chega a isso quando praticamente tudo entre os dois é harmonioso.
Um sabe o que machuca o outro e, por isso,
evitam palavras, gestos ou atitudes que ferem o outro cônjuge.

Os dois se esforçam para errar o menos possível.
Mas quando o erro acontece, por menor que seja, quem o cometeu sabe pedir perdão
e quem foi vítima sabe perdoar.

Tudo leva ao diálogo.
Tanto o marido como a mulher são gentis e bem-educados um com o outro,
não importa se estão perto ou longe dos outros.
Não há artificialismo, não há fingimento, não há faz de conta.
Seu amor é tão claro, que tudo o que ajuda o amor a crescer torna-se lógico e natural.

O casal quase perfeito tem pecados e imperfeições,
mas as qualidades são sempre mais visíveis.
Feitas as contas, os dois têm mais qualidades que defeitos, mais virtudes que vícios,
mais acertos que erros.
Não precisam se suportar, porque se amam e sentem prazer de estar juntos.

Os problemas normais da vida, em comum,
parecem o preço justo que pagam para ter tamanho amor.
E a vida se torna um bem curto e passageiro quando as pessoas se amam como eles.
Aproveitam tudo e aprendem com tudo.
Até com suas pequenas brigas de reajuste.
Exercício imenso de humildade, o casamento feliz consiste em dizer:

“Não posso e não quero viver sem você. Poderia e conseguiria, se quisesse,
mas seria tolice desperdiçar o que você me dá.
Nada vale mais do que o nosso amor.
Eu não quero ser livre. Quero você por dentro”.

Excluídos alguns direitos, também são assim as amizades perfeitas.
Só que o casamento é mais perfeito. É doação maior e vai mais fundo.
Mas é, antes de tudo, uma amizade que, de tão boa,
desembocou na decisão do casamento.
E ai dos casados que não são, antes de tudo, amigos e conselheiros um do outro.

A sociedade atual supervalorizou os direitos da pessoa,
em detrimento dos direitos da família.
Por isso, os casamentos andam tão imperfeitos.
Tirar o máximo de prazer de outro e dar o mínimo necessário é um mau negócio.
Está longe de ser uma decisão inteligente.
E é exatamente o que muitos homens e mulheres fazem.
Não servem um ao outro e os dois aos filhos; servem-se um do outro.

O divórcio moderno é uma instituição muito velha, tão antiga quanto o casamento infeliz.
E tem muito a ver com a insatisfação dos cônjuges.
Não tem a ver com o amor, mas com o desamor.
Casar é algo divino, mas corre o risco com o desamor.
Casar é algo divino, mas corre o risco de ser passageiro demais.
Se faltar Deus, falta tudo…

Só tem chance o casal que fundou sua casa sobre a rocha.
Nem vento, nem chuva, nem contratempo algum a derrubou,
porque os construtores queriam que durasse.
E souberam cosntruí-la.
É desses casamentos que um povo precisa.
O casal imperfeito demais não resiste.
O perfeito demais é uma farsa.
Só o quase perfeito tem chance.
É realista e sadio.
Continua a trabalhar no casamento como se fosse a obra-prima de suas vidas,
que só estará concluída quando um dos dois partir para a eternidade.

O casamento quase perfeito é quase eterno.
Só não o é porque a morte existe.
Essa é a doutrina dos católicos romanos.

Pe. Zezinho, scj



Seja um Fernão Capelo Gaivota

Seja um Fernão Capelo Gaivota


Numa praia, havia uma porção de gaivotas em busca de seu alimento enquanto apenas uma, sozinha, tentava voar de maneira diferente das outras, de uma forma muito especial mas não conseguia, caia. Só que nunca desistia! Tentava voar cada vez melhor!

Quando finalmente conseguiu, descobriu o quanto se amava e o real sentido de viver!

Descobriu que podia aprender a voar, ser livre!

Agora o importante não era receber elogios por sua vitória, queria apenas partilhar com seus amigos o que havia descoberto. Mas eles só lembravam de comer os restos deixados pelos pescadores, migalhas de pão e peixes velhos - pela metade.

Assim não deram importância ao amigo Fernão Capelo Gaivota, que por sua insistência em fazê-los o ouvir acabou por ser excluído do grupo, tendo que viver sozinho em um lugar muito distante.

Mas nem isso fazia Fernão ser triste. O que o entristecia era ver que seus amigos não queriam aprender a voar, aprender a ser feliz, aprender a pegar peixes frescos em cada mergulho magnífico que podiam dar.

Descobriu que o medo e o tédio são as razões porque a vida de uma gaivota é tão curta, e sem isso a perturbar-lhe viveu de fato uma vida longa e feliz.

Quando foi para uma terra longínqua conheceu Henrique que lhe ensinou muitas coisas! Porém seu mestre Henrique foi embora, coube então a Fernão Capelo Gaivota a missão de ensinar as novas gaivotas como voar.

Foi no momento em que estas gaivotas pequenas ficaram um pouco maiores, que ele percebeu que já haviam aprendido o necessário e que podiam continuar sozinhas. Então, mesmo ainda sem permissão resolveu voltar para a sua terra, tentando finalmente mostrar a felicidade de voar a seus antigos amigos.

Queria poder ensinar que o paraíso não é em um lugar nem em um tempo determinado , que o paraíso é perfeito, que está ao alcance de todos. É que basta querer que todos podem ir a qualquer lugar a qualquer momento.

Realizando os vôos que aprendera, voltou próximo a sua terra. Contudo o mais velho do grupo impediu que os demais falassem ou mesmo olhassem para Fernão. Todavia ao perceberam os seus movimentos e lembrando da antiga amizade, foram se aproximando desejando aprender a voar também.

- Pode me ensinar a voar como você? - Perguntou um deles.

- Claro. - Disse Fernão.

E começou a ensinar que o corpo é o nosso pensamento numa forma que podemos visualizar. Então para voar, basta querer! Ensinou tudo o que tinha aprendido com seu mestre amigo Henrique e mais o que aprendera sozinho ensinando as gaivotas mais novas.

- Deu certo! - Gritou uma gaivota ao conseguir voar livremente.

- Dá sempre certo quando sabemos o que estamos fazendo. - Respondeu Fernão. Assim foram passando os dias e ensinando a mais e mais gaivotas. Todas aprendiam! Umas mais devagar, outras mais rápidas, mas todas quando queriam aprendiam.

Quando novamente Fernão Capelo Gaivota percebeu que estava na hora de crescerem sozinhas, partiu para outra terra longínqua a fim de divulgar ainda mais seus movimentos. E assim foi ensinando a quem quisesse ser feliz. Seus discípulos mais tarde fizeram o mesmo, ensinando outras novas gaivotas ….()

 

Resumo elaborado por Rossana Estrella
 Deptº Universitário para a reunião da Divisão de Estudantes da 3ª AG. BSGI

Preciosa Colaboração de
Michelle Catherine
michellecatherine@zipmail.com.br  

 



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Hino Nacional

7 de setembro de 2007 - 185 anos de Independência do Brasil

  O Hino Nacional Brasileiro (.http://novaescola.abril.com.br/ed/104_ago97/html/indice.htm)

 

(Revista Nova Escola - Agosto de 1997)

 


Para muitos, o Hino Nacional não empolga os alunos por ter uma letra complexa, que exige esforço para ser entendida. A professora Laura Cristina de Paula acha que é isso que o torna atraente. “Além do desafio de entender o seu significado, a letra permite dar uma rica aula de Português”, diz ela, que leciona para a 7ª e 8ª série da Escola Caio Pereira, em Recife (PE). Laura usou o livro O Hino Nacional Brasileiro (Aldo Pereira, 32 páginas, Grifo, tel. 021-240-7806) para elaborar sua aula.

 

Autor de um livro sobre o Hino Nacional, o jornalista Aldo Pereira propõe que sua letra seja lida na ordem direta para uma melhor compreensão. Ele fez, também, um glossário com as palavras menos conhecidas.

 

 

 

A versão no original…                          I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor desta igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

 

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

 

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

 

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

 

                        

  II

 

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida,”
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

 

Ó Pátria amada…

 

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

 

Terra adorada…

 

… e na ordem direta                                      I
As margens plácidas do Ipiranga ouviram
o brado retumbante de um povo heróico,
e, nesse instante, o sol da Liberdade
brilhou, em raios fúlgidos, no céu da Pátria.

Se conseguimos conquistar com braço forte
o penhor desta igualdade,
em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito
desafia a própria morte!

 

Ó Pátria amada,
idolatrada,
salve! salve!

 

Brasil, se a imagem do Cruzeiro resplandece
em teu céu formoso, risonho e límpido,
um sonho intenso, um raio vívido
de amor e de esperança desce à terra.

 

És belo, és forte, impávido colosso,
gigante pela própria natureza,
e o teu futuro espelha essa grandeza.

 

Ó Pátria amada,
Brasil, [apenas] tu,
entre outras mil [terras],
és terra adorada!

 

Pátria amada, Brasil,
és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

                          II

 

Ó Brasil, florão da América,
deitado eternamente em berço esplêndido,
ao som do mar e à luz do céu profundo,
fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores do que a terra mais garrida; [e assim como] “nossos bosques têm mais vida,” [também] “nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”.

 

Ó Pátria amada…

 

Brasil, o lábaro estrelado que ostentas
seja símbolo de amor eterno,
e o verde-louro dessa flâmula diga:
— Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas, se ergues a clava forte da justiça,
verás que um filho teu não foge à luta,
quem te adora não teme nem a própria morte.

 

Terra adorada…

 

 

 

Glossário:

. Margens plácidas - “Plácida” significa serena, calma. Esse é o tom desses versos. Ao contrário do hino de outras nações, o nosso não fala em guerras
. Ipiranga - É o riacho junto ao qual D. Pedro I teria proclamado a independência. O Ipiranga nasce junto ao zoológico da cidade de São Paulo
. Brado retumbante - Grito forte, que provoca eco
. Penhor - Usado de maneira figurada, “penhor desta igualdade” é a garantia, a segurança de que haverá liberdade
. Imagem do Cruzeiro resplandece - O “Cruzeiro” é a constelação do Cruzeiro do Sul, que brilha, ou resplandece, no céu
. Impávido colosso - “Colosso” é o nome de uma estátua de enormes dimensões. Estar “impávido” é estar tranqüilo, calmo
. Mãe gentil - A “mãe gentil” é a pátria. Um país que ama e defende seus “filhos”, os brasileiros, como qualquer mãe
. Florão - “Florão” é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas. O Brasil seria o ponto mais importante e vistoso da América
. Garrida - Enfeitada, que chama a atenção pela beleza
. Lábaro - “Lábaro” era um antigo estandarte usado pelos romanos. Aqui é sinônimo de bandeira
. Clava forte - Clava é um grande porrete, usado no combate corpo-a-corpo. No verso, significa mobilizar um exército, entrar em guerra

 

____________

 

 

Edição de Lenise Resende para
Lendo & Relendo
http://www.lendoerelendo.com/

 

 

Midi: Hino Nacional Brasileiro

 

 



As crianças e o Menino Jesus

O jornal italiano Corriere della Será publicou em sua edição eletrônica de fim de semana uma enquete muito divertida. Trata-se de opinar sobre o relacionamento das crianças italianas com o Menino Jesus. Os leitores devem escolher entre frases tiradas do livro: “Caro Gesù: la giraffa la volevi proprio così o è stato um incidente?” (Querido Jesus, a girafa você queria assim mesmo ou foi um acidente?), recém-lançado pela editora Sonzogno. É uma amostra do que elas costumam escrever nas redações da escola, nas aulas de catecismo e em bilhetinhos de final de ano. Na Itália, o Papai Noel não toma conta do imaginário infantil e Gesù Bambino é um poderoso concorrente do bom velhinho nórdico.

” Querido Menino Jesus, todos os meus colegas da escola escrevem para o
Papai Noel, mas eu não confio naquele lá. Prefiro você.”
(
Sara)

“Querido Menino Jesus, obrigado pelo irmãozinho. Mas na verdade eu tinha
rezado pra ganhar um cachorro.” (Gianluca)

“Querido Jesus, por que você não está inventando nenhum animal novo nos
últimos tempos? A gente vê sempre os mesmos.” (Laura)

“Querido Jesus, por favor, ponha um pouco mais de férias entre o Natal e a
Páscoa. No meio, agora está sem nada.” (Marco)

“Querido Jesus, o padre Mário é seu amigo ou você conhece ele só do
trabalho?” (Antonio)

“Querido Menino Jesus, por gentileza, mande-me um cachorrinho. Eu nunca
pedi nada antes, pode conferir.” (Bruno)

“Querido Jesus, talvez Caim e Abel não se matassem tanto se tivessem um
quarto pra cada um. Com o meu irmão funciona.” (Lorenzo)

“Querido Jesus, no Carnaval eu vou me fantasiar de diabo, você tem alguma
coisa contra?” (Michela)

“Querido Jesus, eu gosto muito do Pai-Nosso. Você escreveu tudo de uma
só vez, ou você teve que ficar apagando? Qualquer coisa que eu escrevo
eu tenho que refazer um monte de vezes.” (Franco)

“Querido Jesus, você é invisível mesmo ou é só um truque?” (Giovanni)

“Querido Jesus, na minha opinião, é impossível existir um Deus melhor do
que você. Bom, eu só queria que você soubesse, mas estou te
dizendo isso não é porque você é Deus.” (Valerio)

“Querido Jesus, em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas
pessoas, por que você não fica com as que já tem?” (Marcello)

“Querido Jesus, se não tivesse acontecido a extinção dos dinossauros não
ia ter lugar para nós, você fez muito bem.” (Maurizio)

“Querido Menino Jesus, não compre os presentes na loja embaixo do prédio,
a mamãe diz que eles são uns ladrões. Muito melhor no super.”
(Lucia)

“Querido Jesus, nós estudamos na escola que Thomas Edison inventou a luz.
Mas no catecismo dizem que foi você. Pra mim ele roubou a
sua idéia.”(Daria)



A Língua mordida

FÁBULAS DE LEONARDO DA VINCI

“A Língua mordida pelos dentes

Era uma vez um rapaz que tinha o vício de falar mais do que devia.
- Que língua! – Suspiravam, um dia, os dentes. - Nunca está quieta! Nunca se cala!
- Que estão vocês a murmurar? – Replicou a língua com arrogância. –Vós, os dentes, não sois mais do que servos unicamente encarregados de mastigar os alimentos que eu escolho. Entre nós não há nada em comum e não vos permito que se metam nos meus assuntos.
Deste modo, o rapaz continuava a dizer coisas que não vinham a propósito, enquanto a língua, feliz, conhecia todos os dias novas palavras.
Um dia, o rapaz depois de ter feito uma tolice autorizou que a língua dissesse uma grande mentira. Mas os dentes, obedecendo ao coração, morderam-na.
A língua ficou corada de sangue e o rapaz, arrependido, corou de vergonha.
Desde aquele dia a língua tornou-se cautelosa e prudente e antes de falar pensava duas vezes.”