O presente ideal - retirado do blog: http://www.vnews.com.br/confissoesfemininas/

O PRESENTE IDEAL PARA O SEU PEDAÇO DE MAU CAMINHO
É o cartão, e não as flores. Flores, qualquer um compra. Mas, colocar o coração no papel requer talento, paixão e alguma dedicação à pessoa especial. É o que realmente conta, muito maior do que o presente mais caro que você comprar. Acredite, meu amigo. E o Natal está aí, aproveite. Deixe fluir tudo que você sente. Pense nos bons momentos que passaram e naqueles que virão. Pode ser uma declaração musicada. A boa, velha e imbatível coletânea. Nesse caso, a dificuldade é maior – não vale comprar aquelas prontas, com títulos horríveis como Lovy Metal ou Ballads Forever. Nem baixar na internet as musiquinhas da novela. Você tem que olhar para os seus discos e deixar fluir – assim como no papel. Usar a poesia dos outros a seu favor. Costuma levar horas. E ela, meu amigo, ela merece.
Eu vou te ajudar.
Penso nela, olho para os discos. Seus cabelos, pretos, sobre os ombros. Seu olhar misterioso. Seu corpo lindo, sua boca maravilhosa. Começo com uma canção dos Autoramas. Apropriadamente chamada Música de Amor, onde ele diz “cola seu ouvido na caixa de som (…) Posso me incluir no seu dia?/Ser visita imprevisível pra depois/ Posso fazer sua trilha?”.
Aí vai sua trilha, meu amor. Pode ser numa canção, pode ser no coração, o que eu quero é ter você por perto (Por Perto, do Pato Fu). Porque eu só penso em você e até quem me vê lendo o jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei (Último Romance, Los Hermanos) e que eu vou te amar enquanto houver estrelas no céu, pois, só Deus sabe o que seria de mim sem você (God Only Knows, Beach Boys).
Afinal ela é a minha pista alucinada, a mais concorrida das baladas, meu inferninho. Ela é meu esporte radical. Poderosa, viciante, mas não faz mal. Meu docinho. Ela é o que o meu médico receitou (Meu Esquema, mundo livre s/a).
Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo (Wander Wildner), mulher, que assim como a minha teimosia, será uma das armas que para te conquistar para sempre, diz que eu sou seu lírio e você é minha rosa (Jorge Ben). Abra os braços pra me guardar, que eu todo vou me entregar, começo meio e fim e a minha cuca ruim (Pra Ser Só Minha Mulher, Roberto Carlos). Porque eu realmente te amo e não consigo para de pensar em você (Hard Luck Woman, do Kiss), em nós dois, passeando sob a chuva (Two of Us, Beatles). Dia e noite, você é a única, seja sob a lua ou o sol (Night and Day, Frank Sinatra).
Você é o meu pedaço de mau caminho, a medida de certo para o meu carinho, a coisa mais linda que eu já conheci. É um sonho bom que virou verdade, que me trouxe paz e felicidade (Pedaço de Mau Caminho, Reginaldo Rossi). Mas, você tem que jurar que me ama! Se você fingir, mulher, a orgia assim não vou deixar (Se Você Jurar, Ismael Silva). Enfim, façamos um trato: eu coço suas costas e você coça as minhas (Nobody Loves You…, John Lennon).
Ainda tem Johnny Cash, o homem de preto, cantando “que quando eu penso no amor, é sempre sobre você” (In My Life). Pode me chamar de sentimental, eu não ligo. Porque é apenas por amor que eu vou em frente e é por amor que eu reduso. Por amor eu fico o dia todo querendo te ver (Por Amor, Ira!).
Para fechar, cante no ouvido dela, que essa paixão não é passageira, que dessa vez é para sempre (I Believe When I Fall…, Stevie Wonder). Esse é o presente. Geralmente tem um efeito tão devastador quanto uma Louis Vuitton.

 



O Xaveco

O xaveco
Sempre achei que o xaveco fosse uma coisa tipicamente masculina. Errei. Confesso: eu tropecei nos meus próprios pensamentos machistas. As minhas certezas transformaram-se num equívoco bárbaro. A vida me fez enxergar que o mundo não gira em torno da “suprema” vontade masculina.
Vou contar como cheguei a essa conclusão.
Há um tempo conheci uma moça pela internet. Aos poucos, fomos nos descobrindo como dois adolescentes vivendo a plenitude da primeira paixão. Tudo muito lindo. Flagrei-me, várias vezes, acessando o seu álbum virtual para admirar seus olhinhos apertados, sua boca maravilhosa… Acho que eu estava apaixonado.
Mas chegou o momento que nem mesmo as longas conversas pelo telefone tranqüilizavam os meus batimentos cardíacos. A vontade de conhecê-la era enorme. Resolvemos, então, marcar um encontro. Peguei o carro e fui para São Paulo. Combinamos de nos encontrar num final de tarde no parque Trianon, na incansável Avenida Paulista.
Ao vê-la pude confirmar tudo o que eu imaginava. Linda. Maravilhosa. Conversamos por longos minutos, talvez horas. O tempo, para mim, havia parado naquela tarde de outono. Quando não havia mais palavras, rolou um beijo. Delicioso. Senti-me como um personagem de final de filme. A sensação de perfeição poderia ser muito bem traduzida na canção Kiss Me, do grupo Sixpence None The Richer.
No entanto, a realidade foi diferente. Infelizmente. Durante um abraço apertado ela balbuciou palavras estranhas a um ouvido masculino. Disse que eu era o homem de sua vida, que queria passar o resto do tempo comigo, que éramos almas gêmeas, que gostaria que morássemos juntos… Fiquei surpreso (e desconfiado) com tantos verbos diretos para um primeiro encontro. Era a primeira vez que eu estava sendo “xavecado”.
Sou um machista barato. Eu não aceitei as palavras que a linda moça me disse ao pé do ouvido, de forma romântica, naquele fim de tarde paulistana. Fui covarde, talvez. Eu me esquivei de um xaveco feminino por puro preconceito. Mulher também pode “xavecar” um homem, ora bolas!
Pena que essa conclusão chegou tarde demais.
Minha paixão foi-se embora. Evaporou-se através do suor frio que escorria pelo meu rosto. O encanto havia simplesmente acabado. Um egoísmo – de pura masculinidade, certamente – fez um provável promissor relacionamento ir ralo abaixo. Eu recusara as doces palavras de uma mulher puramente por achar que ela deveria, apenas, ouvir às minhas cantadas. Por ter dito tudo aquilo, duvidei de seus sentimentos. Triste engano. O machismo não me deixou acreditar na transparência feminina.
E a confirmação da derrota me chegou por e-mail dias mais tarde. Ela disse que não sentiu tanto entusiasmo de minha parte. “É melhor eu tentar te esquecer mesmo, afinal, parece que você não acreditou nos meus sentimentos”. Achei melhor nem responder. Fiquei em silêncio.
Nota do autor:
“Vou confessar uma coisa (“Confissões Masculinas”): para nós, homens, se a mulher nos “xaveca”, ela é tida como uma pessoa de poucos valores.E acho que, quando um homem reconhece o seu próprio erro, já é um avanço para que isso mude, não é?! A conclusão: os homens são machistas mesmo! E eu assumo. Porém, tenho que tentar mudar isso!.”
V.Novaes