Primeira infância como leitora

Primeira infância como leitora

Minha primeira infância como leitora começou bem cedo. Primeiro vieram as imagens que eu “lia” e depois contava. Aprendi a ler e a interpretar por volta dos 5 a 6 anos, sem soletração, pois detestava ter que soletrar. Lia tudo rapidamente e aos atropelos, desde dicionários a placas de rua que eram as que eu mais gostava de ler quando saia. Lia todas em voz media, às vezes, lia baixinho só para mim, enquanto atravessava uma rua, por exemplo.

Logo os gibis foram introduzidos por meu irmão e amiguinhos. Sentia um enorme prazer nas aventuras da turma da Mônica de Maurício de Sousa e nas revistas de Walt Disney, assim como, as revistas da Marvel. Tudo o que meus olhos alcançavam e que podia ser lido, eu lia.

Mamãe ficava sem saber mais o que fazer, pois eu lia na hora da refeição, (escondia embaixo da mesa quando ela ralhava), mas o que mais a preocupava era eu ler um livro ou gibi na rua, pois simplesmente, eu atravessava a avenida ou qualquer lugar com o livro sobre as vistas, o rosto enfiado dentro das páginas, (incrível como e graças a Deus não sofri nenhum acidente).

Minha mãe era professora e sempre tivemos uma rica biblioteca, fora os livros que recebia para avaliar. Eu lia todos.

Dos livros de português da escola, lia todas as estórias em um dia… e consumia livros e mais livros…

A primeira lição de que me recordo era acerca de uma menina chamada babá:

A bacia é de babá

Babá é bonita

Nos tesouros da minha mãe também encontrei Thesouros da juventude, o qual como é uma espécie de enciclopédia que trata de todos os assuntos (minha mãe ainda tem esse), eu encontrei um pouco de História, de Geografia, de Artes, poesia, trovas…

Havia também uma enciclopédia que era composta por 3 volumes que falava de Anatomia com a qual me sentava para ler durante horas. Livros de história, todos que tinha acesso. Li todas as fábulas, estórias, contos infantis. Possuía coleções que guardava como tesouros em grandes sacolas plásticas.

Também me lembro de um almanaque no qual se aprendia a fazer de tudo e que contava lendas e histórias do tempo, (eu fiz um dragão feito de material reciclado).

A turma do Pererê foi minha turma também. Participei de todas as aventuras e conheci cada um deles de maneira íntima. Nos divertimos muito!

A Turma do Pererê

Os bichinhos heróis dessas aventuras são figuras clássicas da lenda brasileira. Toda história que a mãe preta, o avô contador de caso ou as tias mais amorosas contaram para seus mininos, seus netos ou seus sobrinhos foram povoadas pelo coelho ou pelo macaco, pelo tatu e o jaboti, pela onça e pela coruja, com sua sabedoria.  Aí, inventei de juntá-los todos em volta do Saci-Pererê e arrumar mais gente para contracentar com eles: um indiozinho, duas meninas lindas, dois caçadores, e alguma maluquice. Ziraldo

A biblioteca infantil era minha morada especial, minha “casa na árvore” onde eu me refugiava.

Andei a pés, de carro, de carroça, de trem, de barco, voei com e sem avião… fui a muitos lugares conhecidos e desconhecidos, fui atleta, heroína, vilã, magra, gorda, órfã… e vivi todo tipo de emoções…

Conheci milhares de pessoas e soube de muitos segredos…

Senti medo, dor, tristeza, alegria, carinho e toda um gama de sentimentos, todos verdade…

Fui detetive, rica, palpérrima, rainha, madame, freira, dona de casa, patroa, empregada…

Eu conheci o Conan Doyle, Os irmãos Grimm, Contos da Carrochinha, Mamãe Ganso, Ziraldo, Daniel Azulay…

E a magia de autores como Lewis Carroll entre outros.

Estórias como o gato de botas, João e Maria, O bicho folharau, a tartaruga Suquis, os três porquinhos, o príncipe encantado…

Todos habitam em mim hoje, parte de mim é soma de todos os personagens e leituras que construíram meus conceitos.

Maria Machado - todos os direitos reservados


GOTA DE ORVALHO NO CAFÉ DA MANHÃ

Gota de orvalho no café da manhã


Quem descobrirá o que há de melhor em mim, hoje?
Hoje de manhã eu acordei de um não dormir e no meio de um sonho refleti sobre está e ser.
Vagando pela memória e sendo invadida e conquistada pela nebulosidade do encadeamento perfeito e não entendível de minhas lembranças sucatadas pelo enigma do “eu sou o tempo e por dimensão a vida” sem saber dignificar a perda imponderável de uma disritmia inexorável, frenética sem vírgula, sem ponto, eu extraviei.
De chegado ou de além, a passo ou prontamente o dia esvai-se em pontos de vista disformes em si.
Tardiamente assoalhado confirmei a desenvoltura do por vir que está aqui e nunca lá.
O enleio de mim torna o influir, um fenecimento em um fim…
Quero hoje, só hoje alguma gota, gota de orvalho no café da manhã.
Maria machado
(todos os direitos reservados)