Precisa-se de matéria prima para construir um país
Precisa-se de Matéria Prima para
construir um País
A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que [...]
Precisa-se de Matéria Prima para
construir um País
A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que [...]
No entanto, ninguém jamais ouviu ou leu uma manchete com os dizeres:
“Foi roubada a coragem desta ou daquela pessoa”, “Foi extraviada grande porção de otimismo.Quem a encontrar favor devolver no endereço citado”.
Ou então, “Incêndio consumiu toda a fidelidade de fulano” ou “Naufragou a honestidade de beltrano.”
Enfim, nunca se ouve falar que as virtudes de alguém tenham sofrido assaltos ou outro dano qualquer.
Todavia, isso acontece diariamente quando as negociatas indignas põem por terra a honestidade e a honradez deste ou daquele cidadão, que sucumbe ante grandes quantias em dinheiro ou favorecimentos de toda ordem.
No entanto, as virtudes que se deixam arrastar por interesses próprios, não são virtudes efetivas, são ensaios de virtudes.
Quem verdadeiramente conquista uma virtude, jamais a perde.
Contou-nos um amigo, jovem advogado que labora num órgão público que, em certa ocasião, estava com uma pilha de processos sobre a mesa, quando seu superior entrou na sala, tomou dois daqueles processos e pôs de lado, dizendo-lhe:
“Quero que você arquive estes processos.”
O advogado perguntou por que razão deveria arquivá-los, e o diretor respondeu simplesmente: “Porque os acusados são meus amigos e me pediram esse favor”.
O moço, que tinha compromisso sério com a própria consciência, fez com que os processos seguissem seu curso, sem interferir.
Tempos depois, os acusados tiveram que arcar com as custas do processo e indenizar vários cidadãos, aos quais haviam prejudicado de alguma forma.
Quando questionado por seu superior sobre o ocorrido, o advogado argumentou que o fato de os acusados serem seus amigos, não era suficiente para isentá-los da responsabilidade de seus atos.
Se o jovem advogado não tivesse firmeza de caráter, poderia ter dado ocasião a que fosse registrado em sua ficha espiritual a seguinte anotação:
“Este Espírito sofreu, em tal data, um assalto da corrupção e da prepotência e teve seus bens mais preciosos, que são a fidelidade e a honestidade, roubados.”
Felizmente isso não aconteceu.
……………
Toda vez que permitimos que nosso patrimônio ético-moral seja comprado ou roubado, ficamos mais pobres espiritualmente.
Quando aplaudimos a corrupção e a ganância dos outros, somos coniventes com essas misérias morais, e empobrecemos.
Pense nisso, e considere que vale a pena preservar esse bem tão valioso que é o seu patrimônio moral.
Texto da Equipe de Redação do site www.momento.com.br, com base em fato real
Tacioli - Seu Vieira, e qual é o som do Maranhão? Ele tem um?
Vieira - Tem um som especial. E eu convido a vocês para que visitem o Maranhão na época de junho, de 20 a 30 de junho. Música falada não adianta, tem que ser ouvida. Pra vocês chegarem e ouvir as músicas do Maranhão nas ruas. Aí você vê que a música é diferente, o ritmo. Só de bumba-meu-boi nós temos quatro ritmos diferentes. E tudinho nós exportamos lá pra Amazônia. Lá tem Boi-Bumbá, o Parintins. Então, um estudioso radicado aqui, o Ubiratan Souza, diz que já coletou 45 ritmos diferentes no Maranhão. Isso ele é quem pode esclarecer com mais minúcias pra vocês.
Tacioli - E esses sons do Maranhão ainda são ouvidos lá?
Vieira – Ah! Muito embora, em uma entrevista com uma paulista, ela disse assim: “Seu Vieira, como é que vai a música do Maranhão, um tal de reggae que vocês têm lá?” Eu disse: “Minha filha, você está mal informada. Reggae não é música do Maranhão, não. Reggae é música da Jamaica. Há alguns seguidores no Maranhão. A música do Maranhão tem muitos ritmos, mas esse não é nosso. Tem gente que gosta de fox, tem gente que gosta de bolero, tem gente que gosta de reggae, tem gente que gosta de canções inglesas, italianas. Mas não é música do Maranhão. Música do Maranhão é outra coisa. É preciso se ouvir!”. Se vocês comprarem esse disco de hoje, vocês vão ouvir uma música que só tem lá, chamada tambor-de-crioula. Lá vocês vão ouvir uma música, a “Mina do Maranhão”, está inserida na música que fala do Maranhão. Lá vocês vão ouvir o samba maranhense, lá vocês vão ouvir os ritmos do carnaval de lá. Nós temos um grupo que tem quase 70 anos de fundado, e é só velho. Quem é novo tem 60 anos. E eles estão no meu disco. O nome desses velhinhos é Os Fuzileiros da Fuzarca. [ risos ] Só velho bom de cana e bom de batuque. Mas é bom mesmo vocês ouvirem a gravação. São 18 músicas escolhidas com os principais ritmos do Maranhão.
POEMA
Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim, Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil, Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, Quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil, E que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem, Não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
e que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra Que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com o máximo de urgência,
acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
alimente um cuco e ouça o joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal
porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele
na sua frente e diga “Isso é meu”,
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
por ele e por você, Mas que se morrer, você possa chorar
sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem, tenha uma boa mulher,
e que sendo mulher, tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a te desejar”.
(Vitor Hugo)
Nas histórias infantis, elas ganham o rótulo de vilãs. Sempre com o rosto fechado, aterrorizam a vida dos enteados e são taxadas de más. Cinderela e Branca de Neve são bons exemplos destes clássicos. As boazinhas dos contos de fadas tiveram que se desdobrar na convivência com a madrasta e, mesmo assim, não obtiveram sucesso.
Também na vida real, há muitas mulheres que sofrem com a marca e não sabem como conquistar os filhos do marido. Ciúmes, disputa de atenção e carinho são alguns dos sentimentos que dificultam estas relações. No entanto, o convívio pode, sim, ser amistoso, caso madrasta e enteados estejam de coração aberto.
É assim que a estudante de direito Amanda Calheiros (foto ao centro), de 19 anos, encara o relacionamento com a madrasta Aleandra. “Sou apaixonada por ela”
, declara. Segundo Amanda, o contato com o pai seria prejudicado, se a amizade com Aleandra não fosse tão forte. “Estamos em família, não há motivos para dificultar as coisas, deixar o clima chato”
, considera.
Embora Amanda não divida o mesmo teto com a madrasta, já que a jovem vive com a mãe, ela garante que não teria medo da proximidade. “Isso não me assusta, pois tenho também um padastro e vivo bem com ele e meus irmãos, do segundo casamento de ambos”
.
O encantamento de Amanda com a madrasta é tão intenso, que a jovem diz que não teria receio em presenteá-la Dia das Mães. “Com certeza, ela merece, já que também é mãe de meus dois irmãos”
. Para quem pensa que a mãe da garota poderia ficar enciumada com tanta dedicação, se engana. “Ela não tem problemas com isso. As duas convivem harmoniosamente”
, diz.
Também adepta da convivência pacífica, a estudante Ana Paula Batista Ozório (foto), 17 anos, diz que nem tudo são flores. “Atualmente, tenho uma relação boa com ela, mas já passamos por muitas dificuldades”
, relembra. Os problemas começaram a aparecer quando a Ana Paula chegou na adolescência. “Ela queria fazer o papel de mãe, me proibir de fazer certas coisas, o que me deixava muito triste”
, diz.
A jovem se apoiou no pai para chegar a um consenso. O diálogo e a sinceridade foram os ingredientes usados pela estudante para resgatar a confiança da madrasta. “Prefiro deixar tudo bem claro e mostrar quais são as minhas razões”
. Quanto ao presente de Dia das Mães, Ana Paula ainda não sente tanta firmeza no relacionamento com a madrasta a ponto de presenteá-la. “Para quem tem uma convivência boa, acho muito legal dar um presente”
, afirma.
Os pais têm amor de sobra para os filhos. Não fique medindo a quantidade de tempo e carinho que ele dedica a você ou a madrasta. Aprenda que para cada tipo de relacionamento, há uma forma de expressar sentimentos. Madrastas e filhos devem ser compreensivos e deixar a vida fluir naturalmente. Quanto menos pressão as partes exercerem em direção ao pai, mais tranqüilo e saudável será o dia-a-dia.
Quando o clima esquentar dentro de casa, não coloque lenha na fogueira. A madrasta não deve interferir na briga de pai e filho, e as crianças vice-versa. Não tente disputar espaço, objetos ou datas especiais. Isso só irá desgastar o relacionamento. Aproveite o tempo em família para vivenciar os bons momentos e deixar para trás ressentimentos.
Na hora das comemorações em família, pais, filhos e madrastas devem pesar na balança o quanto a presença dela ou das crianças se fará indispensável. Caso haja alguma situação desconfortante para as famílias, é melhor que alguém abra mão de ir à festa, sem criar desconforto. Os próprios filhos e até a madrasta podem conversar sobre o assunto, para que não causem um constrangimento pior depois.
Se os filhos não se sentirem confortáveis em presentear a madrasta, não é necessário fazê-lo. No entanto, essa é uma forma de agradecimento, de mostrar o quanto ela é importante para o seu pai e sua família. Para o Dia das Mães, você pode pedir a ajuda do paizão para ver se ela gostaria ou não de ganhar um presente. Toda forma de carinho é válida!
| “O meu pai é um herói” | ![]() |
![]() |
| Escrito por Cátia Figueiredo | |
| 12-Mar-2008 | |
| Um homem que cria sozinho três crianças. É esta a história da família Ramalho. A doença levou a figura materna desta família. Foi então tempo do único homem da casa assumir as rédeas sozinho e educar as três filhas, hoje três mulheres. Em vésperas do Dia do Pai, o Independente de Cantanhede foi conhecer um super-pai, pelos olhos das filhas.
Ana Filipa (20 anos), Ana Rita (23 anos), Ana Margarida (24 anos) e José Ramalho (55 anos). Quem conhece este pai e as suas três filhas encontra uma família como tantas outras. O que distingue os Ramalho é a presença de um super-pai, como admitem a próprias filhas. Foi há cerca de onze anos atrás que o pai José Ramalho assumiu a tarefa de educar sozinho três crianças, depois da morte da mãe Ramalho. “A princípio uma pessoa olha para esta história e pensa: “Uma tragédia!”, mas não”, garante a filha mais nova. “Primeiro porque não é nada de outro mundo, há gente bem pior, e depois porque o meu pai desempenhou perfeitamente o papel.” A falta da mãe obrigou a alguns ajustamentos na família. Se a filha mais velha assumiu – e continua a assumir – o papel de “galinha”, já a do meio tornou-se na mais brincalhona e a mais nova é mesmo a mais reservada. Quanto ao pai, Ana Filipa garante ser unânime lá em casa que ele se tornou num super-pai. “Há tempos uma senhora dizia: ‘É um grande homem!’ e o meu pai respondeu: ‘Não, eu só tenho 1 metro e 74!’ Além disso tudo, ele ainda consegue ser humilde.” Altura de abandonar progenitor Assumem-se hoje como meninas do papá. “E o papá também é das meninas”, garante a filha mais nova. A infância, recorda a benjamim, foi um período feliz, onde não faltou carinho, cumplicidade e muita brincadeira. “Costumo dizer que a definição do meu pai é: o pai que se deita no chão para brincar com as filhas. Porque era, eu lembro-me de ele fazer isso comigo também.” A falta da figura materna em casa acabou por não se revelar problemática. A situação acabou sim por estimular uma relação de grande confiança entre pai e filhas. “Houve uma vez que uma colega minha me perguntou: ‘Como é que tu consegues comprar soutiens com o teu pai?’ E eu pensei ‘como é que eu haveria de não conseguir?’ Para mim é super natural!, recorda Ana Rita rindo. “Como crescemos assim, nunca soubemos como era ser diferente.” Hoje José Ramalho passa a semana sozinho na casa de Cantanhede, na companhia dos sete cães. A filha mais velha está a trabalhar em Inglaterra e as outras duas estudam em Coimbra. A missão mais dolorosa coube à filha mais nova, a última a sair de casa. “Eu antes de entrar para a Faculdade lembro-me de chorar à noite no Verão a pensar no meu pai sozinho”, conta. “Eu costumava dizer que fui eu que fiquei com esse papel de abandonar o meu pai.” O problema acabou por não se revelar problemático e a jovem garante mesmo ter desenvolvido uma relação mais próxima com o pai. O segredo da família para ultrapassar as dificuldades, revela a filha mais nova, é ir pensando nos obstáculos à medida que vão surgindo. “E depois logo se vê como se resolve.” “Cenários de guerra” Uma pessoa actual, aberta, pouco conservadora, pacífico e discreto. É assim que o pai José Ramalho é descrito pela cria. Falar de namorados é o assunto ainda hoje mais difícil para o progenitor. De resto, é conhecido pelas suas “saídas muito elegantes, sem falar dos assuntos, mas falando” “É um herói”, acrescenta ainda. “E quando digo herói não é teoricamente, é mesmo na verdadeira acepção da palavra”, descreve Ana Filipa visivelmente orgulhosa. “O meu pai chegou a uma altura que fazia quatro coisas diferentes: dava aulas, colaborava com duas empresas e dava explicações.” Porque até um super-pai também tem defeitos, José Ramalho é conhecido entre as filhas pelos seus “cenários de guerra”. É assim que as jovens classificam em tom de brincadeira os momentos em que o pai se enerva. “O meu pai é um super pai, mas não é diferente. É igual aos outros. É é super.” ****************************************
Dia das Mães — e dos Pais… Embora domingo que vem seja o Dia das Mães, é aos pais que desejo expressar minha mais sincera solidariedade. Dizem que ser mãe é padecer num para;iso. Pai sofre (e sofrer não é sequer tão nobre quanto padecer) — e não é em nenhum paraíso. O pai está sempre correndo atrás do prejuízo. O homem se torna pai, mesmo, quando o filho nasce (e ele tem certeza de que é dele). A essas alturas, a mãe já é mãe há cerca de nove meses e, durante todo esse período, desenvolveu com o filho toda uma cumplicidade que o pai vai levar anos para conseguir (se é que consegue). A mãe alimenta o filho antes de ele nascer, sente-o crescer nas suas entranhas, recebe chutes e outras cutucadas dele, fica com o corpo meio deformado (se bem que ainda lindo) por causa dele, sofre mudanças no seu organismo relacionadas ao filho que carrega, tudo em preparação para colocá-lo no mundo e para alimentá-lo. Quando ele finalmente nasce, a mãe se sente, em relação a ele, como se estivesse lidando com um velho conhecido. Afinal, ele foi parte dela, em um sentido literal, durante nove meses. Em um sentido Durante todo esse período de gestação, o que faz o pai? Fica assim com uma cara meio abobalhada quando se lhe dão os parabéns, pois tem o sentimento de que está recebendo honras que não lhe são inteiramente devidas. Afinal de contas, sua participação no processo está sendo mínima (mesmo que inicialmente possa não ter sido desprezível). Mas o pior vem depois de o nenê nascer. O pai olha para ele e pergunta: “Mas isso aí é o meu filho?” Falta-lhe aquele sentimento de intimidade com o recém-nascido que na mãe é tão natural. Afinal de contas, ela já o conhece bem. Além disso, na maternidade, todo mundo quer ver, o nenê e a mãe — nesta ordem. O pai em regra nem é percebido, mesmo que esteja no quarto e por mais que se esforce para ser notado, distribuindo charutos, fazendo piadinhas, colocando o uniforme do time preferido na porta do quarto (se o nenê for menino), coisas assim. Se é o primeiro filho, então, ele em geral nem carregá-lo direito sabe: pega-o desajeitadamente, como quem está com medo de quebrar a criança. A mãe, por outro lado, parece que foi feita para aquilo: segura a criança com naturalidade, e esta se encaixa no vão entre sua barriga (que ainda não voltou ao normal) e os seus seios, prontos para alimentar o recém-nascido. Convenhamos: a criança que acabou de nascer e que agora vai crescer é uma realização da mãe. O pai, na realidade, não passa de coadjuvante — mas a sensação dele é de que é apenas figurante. Nenhum homem vai jamais entender o mistério da maternidade. Se o nenê for menina, o pai vai ter um pouco de chance de ganhar algum prestígio relativo mais adiante, por razões que Freud bem explica. Mas se for menino, esqueça (pelas mesmas razões). O menino vai ser um eterno rival do pai, que vai se sentir cada vez mais preterido pelas atenções que a mãe vai devotar ao rebento - para o resto da vida! Sei bem disso. Meu pai, com quase oitenta anos, ainda reclamava das atenções que minha mãe me dava quando eu ia visitá-los. Sempre reclamou. Houve um tempo, antes de eu ter meus próprios filhos, em que achei que meu pai tinha algum problema emocional mal resolvido para sentir ciúme do filho. Hoje, sei melhor, pois me sinto da mesma forma — e eu sei que… “eu sou normal”!!!. Para vocês verem como o problema é sério, eu, como pai, já senti até uma certa inveja de uma raça de cavalos, mencionada num desses programas tipo “Mundo Animal”, na qual é costume que o pai expulse o cavalinho macho da “família” assim que ele começa a achar que é gente — para, sem a presença próxima do rival, tentar reganhar a mãe do cavalinho para si. Mas entre humanos isso não funciona. E não adiante tentar desenvolver uma falsa cumplicidade com o menino, levá-lo ao campo de futebol, tentar inseri-lo no mundo dos machos da espécie… Quando ele tiver algum problema (exceto financeiro) é a mãe que ele vai procurar. E mesmo no caso de problemas financeiros, o menino muitas vezes pede à mae para abordar o pai — e a mãe as vezes resolve o problema do filho sem que o pai fique sequer sabendo… Enfim, a gente vai ter de viver com esse problema para o resto da vida. A única coisa que realmente compensa é que a mulher se derrete toda quando você, o pai, trata bem o filho DELA. E pode até lhe dar uma colher de chá de vez em quando. Feliz Dia das Mães, para as mães. E, para os pais, Feliz Dia dos Pais antecipado. |
Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
A menininha ficava a esperar
O professor de piano chegava
E começava uma nova lição
E a menininha, tão bonitinha
Enchia a casa feito um clarim
Abria o peito, mandava brasa
E solfejava assim:
Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a não daí
Dó, dó, ré, dó, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E agora o sol, fá
Pra lição acabar
Diz o refrão quem não chora não mama
Veio o sucesso e a consagração
Que finalmente deitaram na fama
Tendo atingido a total perfeição
Nunca se viu tanta variedade
A quatro mãos em concertos de amor
Mas na verdade tinham saudade
De quando ele era seu professor
E quando ela, menina e bela
Abria o berrador
Ai, ai, ai,
Lá, sol, fá, mi, ré
O PRESENTE IDEAL PARA O SEU PEDAÇO DE MAU CAMINHO
É o cartão, e não as flores. Flores, qualquer um compra. Mas, colocar o coração no papel requer talento, paixão e alguma dedicação à pessoa especial. É o que realmente conta, muito maior do que o presente mais caro que você comprar. Acredite, meu amigo. E o Natal está aí, aproveite. Deixe fluir tudo que você sente. Pense nos bons momentos que passaram e naqueles que virão. Pode ser uma declaração musicada. A boa, velha e imbatível coletânea. Nesse caso, a dificuldade é maior – não vale comprar aquelas prontas, com títulos horríveis como Lovy Metal ou Ballads Forever. Nem baixar na internet as musiquinhas da novela. Você tem que olhar para os seus discos e deixar fluir – assim como no papel. Usar a poesia dos outros a seu favor. Costuma levar horas. E ela, meu amigo, ela merece.
Eu vou te ajudar.
Penso nela, olho para os discos. Seus cabelos, pretos, sobre os ombros. Seu olhar misterioso. Seu corpo lindo, sua boca maravilhosa. Começo com uma canção dos Autoramas. Apropriadamente chamada Música de Amor, onde ele diz “cola seu ouvido na caixa de som (…) Posso me incluir no seu dia?/Ser visita imprevisível pra depois/ Posso fazer sua trilha?”.
Aí vai sua trilha, meu amor. Pode ser numa canção, pode ser no coração, o que eu quero é ter você por perto (Por Perto, do Pato Fu). Porque eu só penso em você e até quem me vê lendo o jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei (Último Romance, Los Hermanos) e que eu vou te amar enquanto houver estrelas no céu, pois, só Deus sabe o que seria de mim sem você (God Only Knows, Beach Boys).
Afinal ela é a minha pista alucinada, a mais concorrida das baladas, meu inferninho. Ela é meu esporte radical. Poderosa, viciante, mas não faz mal. Meu docinho. Ela é o que o meu médico receitou (Meu Esquema, mundo livre s/a).
Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo (Wander Wildner), mulher, que assim como a minha teimosia, será uma das armas que para te conquistar para sempre, diz que eu sou seu lírio e você é minha rosa (Jorge Ben). Abra os braços pra me guardar, que eu todo vou me entregar, começo meio e fim e a minha cuca ruim (Pra Ser Só Minha Mulher, Roberto Carlos). Porque eu realmente te amo e não consigo para de pensar em você (Hard Luck Woman, do Kiss), em nós dois, passeando sob a chuva (Two of Us, Beatles). Dia e noite, você é a única, seja sob a lua ou o sol (Night and Day, Frank Sinatra).
Você é o meu pedaço de mau caminho, a medida de certo para o meu carinho, a coisa mais linda que eu já conheci. É um sonho bom que virou verdade, que me trouxe paz e felicidade (Pedaço de Mau Caminho, Reginaldo Rossi). Mas, você tem que jurar que me ama! Se você fingir, mulher, a orgia assim não vou deixar (Se Você Jurar, Ismael Silva). Enfim, façamos um trato: eu coço suas costas e você coça as minhas (Nobody Loves You…, John Lennon).
Ainda tem Johnny Cash, o homem de preto, cantando “que quando eu penso no amor, é sempre sobre você” (In My Life). Pode me chamar de sentimental, eu não ligo. Porque é apenas por amor que eu vou em frente e é por amor que eu reduso. Por amor eu fico o dia todo querendo te ver (Por Amor, Ira!).
Para fechar, cante no ouvido dela, que essa paixão não é passageira, que dessa vez é para sempre (I Believe When I Fall…, Stevie Wonder). Esse é o presente. Geralmente tem um efeito tão devastador quanto uma Louis Vuitton.
O xaveco
Sempre achei que o xaveco fosse uma coisa tipicamente masculina. Errei. Confesso: eu tropecei nos meus próprios pensamentos machistas. As minhas certezas transformaram-se num equívoco bárbaro. A vida me fez enxergar que o mundo não gira em torno da “suprema” vontade masculina.
Vou contar como cheguei a essa conclusão.
Há um tempo conheci uma moça pela internet. Aos poucos, fomos nos descobrindo como dois adolescentes vivendo a plenitude da primeira paixão. Tudo muito lindo. Flagrei-me, várias vezes, acessando o seu álbum virtual para admirar seus olhinhos apertados, sua boca maravilhosa… Acho que eu estava apaixonado.
Mas chegou o momento que nem mesmo as longas conversas pelo telefone tranqüilizavam os meus batimentos cardíacos. A vontade de conhecê-la era enorme. Resolvemos, então, marcar um encontro. Peguei o carro e fui para São Paulo. Combinamos de nos encontrar num final de tarde no parque Trianon, na incansável Avenida Paulista.
Ao vê-la pude confirmar tudo o que eu imaginava. Linda. Maravilhosa. Conversamos por longos minutos, talvez horas. O tempo, para mim, havia parado naquela tarde de outono. Quando não havia mais palavras, rolou um beijo. Delicioso. Senti-me como um personagem de final de filme. A sensação de perfeição poderia ser muito bem traduzida na canção Kiss Me, do grupo Sixpence None The Richer.
No entanto, a realidade foi diferente. Infelizmente. Durante um abraço apertado ela balbuciou palavras estranhas a um ouvido masculino. Disse que eu era o homem de sua vida, que queria passar o resto do tempo comigo, que éramos almas gêmeas, que gostaria que morássemos juntos… Fiquei surpreso (e desconfiado) com tantos verbos diretos para um primeiro encontro. Era a primeira vez que eu estava sendo “xavecado”.
Sou um machista barato. Eu não aceitei as palavras que a linda moça me disse ao pé do ouvido, de forma romântica, naquele fim de tarde paulistana. Fui covarde, talvez. Eu me esquivei de um xaveco feminino por puro preconceito. Mulher também pode “xavecar” um homem, ora bolas!
Pena que essa conclusão chegou tarde demais.
Minha paixão foi-se embora. Evaporou-se através do suor frio que escorria pelo meu rosto. O encanto havia simplesmente acabado. Um egoísmo – de pura masculinidade, certamente – fez um provável promissor relacionamento ir ralo abaixo. Eu recusara as doces palavras de uma mulher puramente por achar que ela deveria, apenas, ouvir às minhas cantadas. Por ter dito tudo aquilo, duvidei de seus sentimentos. Triste engano. O machismo não me deixou acreditar na transparência feminina.
E a confirmação da derrota me chegou por e-mail dias mais tarde. Ela disse que não sentiu tanto entusiasmo de minha parte. “É melhor eu tentar te esquecer mesmo, afinal, parece que você não acreditou nos meus sentimentos”. Achei melhor nem responder. Fiquei em silêncio.
Nota do autor:
“Vou confessar uma coisa (“Confissões Masculinas”): para nós, homens, se a mulher nos “xaveca”, ela é tida como uma pessoa de poucos valores.E acho que, quando um homem reconhece o seu próprio erro, já é um avanço para que isso mude, não é?! A conclusão: os homens são machistas mesmo! E eu assumo. Porém, tenho que tentar mudar isso!.”
V.Novaes